sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

APRESENTAÇÃO


"Pensar que o homem nasceu sem uma história dentro de si próprio é uma doença. É absolutamente anormal, porque o homem não nasceu da noite para o dia.Nasceu num contexto histórico específico, com qualidades históricas específicas e, portanto, só é completo quando tem relações com essas coisas.Se um indivíduo cresce sem ligação com o passado, é como se tivesse nascido sem olhos nem ouvidos e tentasse perceber o mundo exterior com exatidão. É o mesmo que mutilá-lo."

Carl Jung


Este blog é destinado principalmente, mas não exclusivamente, aos meus alunos do Ciep Brigadeiro Sérgio Carvalho (165), com o objetivo de proporcionar o contato com textos diversificados e complementares aos trabalhados em sala de aula.

Todos os comentários e perguntas serão bem-vindos, desde que pertinentes aos temas e aos textos.

Boa leitura e bom estudo !

Prof. Omar de Almeida

MÁTERIA PARA AS PROVAS DO 1o BIMESTRE de 2014:

1o ano: Grécia e Roma. Capítulos 4(págs 57, 59, 67 e 68) e 5 (págs 75, 76, 77 , 90 e 91)+ caderno+ textos "Cidade-Estado e Cidadania" e "Grécia e Roma: sociedade e economia" (no blog, parte do 1o ano).


2o ano: Iluminismo e Revolução Francesa. capítulos 1 e 2 + caderno.

3o ano: Crise do 2o Império e República Velha. capítulo 1 + caderno + textos: "A crise do 2o reinado" + "Coronelismo" + "Coronelismo 2"(no blog, parte do 3o ano).

Boa Prova!

quarta-feira, 5 de março de 2008

METODOLOGIA DE ESTUDO


ROTEIRO PARA LEITURA E ESTUDO

Uma das maiores dificuldades dos alunos atuais é a leitura e sua interpretação. Às vezes um texto muito interessante passa despercebido porque não sabemos ler!

Saber ler não é simplesmente ser alfabetizado.
Saber ler é conseguir pensar com o autor, compreendê-lo e criticá-lo.

Apresentamos abaixo um pequeno roteiro para auxiliá-lo em sua leitura:

* Ler uma vez com atenção
* Anotar as palavras desconhecidas
* Procurar no dicionário seu significado
* Reler o texto
* Sublinhar (ou marcar) as idéias mais importantes
* Anotar as críticas e observações
* Discutir as idéias principais do texto com seus colegas.


Atenção aluno:

Nunca aceite opiniões prontas e definitivas! Quando ler um texto, de qualquer assunto, sendo possível, procure outras fontes e autores, analise e tire sua própria conclusão!!


Boa Leitura!!

TEXTOS PARA O 1o ANO:


No texto a seguir, Norberto Luiz Guarinello, professor de História Antiga da Universidade de São Paulo (USP), reflete sobre a cidadania nas cidades-estado da Antiguidade.

Cidade- Estado e Cidadania

Pertencer à comunidade da cidade-Estado não era, portanto, algo de pouca monta; mas um privilégio guardado com zelo, cuidadosamente vigiado por meio de registros escritos e conferido com rigor. Como já ressaltava o filósofo grego Aristóteles, fora da cidade-Estado não havia indivíduos plenos e livres, com direitos e garantias sobre sua pessoa e seus bens. Pertencer à comunidade era participar de todo um ciclo próprio da vida cotidiana, com seus ritos, costumes, regras, festividades, crenças e relações pessoais.

Não podemos, no entanto, entender a formação dessas comunidades apenas como um processo de inclusão, já que o fechamento da cidade-Estado implicava, necessariamente, a definição do outro e sua exclusão. E o outro não era apenas o estrangeiro, mas muitos dos habitantes do próprio território das cidades-Estado. Eles participavam da sociedade com seu trabalho e recursos, mas não se integravam ao conjunto dos cidadãos. Este é um ponto crucial, cuja importância aumentou com o crescimento de várias cidades-Estado, por expansão econômica ou militar. Muitas delas, sobretudo as maiores e mais poderosas, como Atenas, Esparta ou Roma, abrigavam vasta população não cidadã, completamente excluída do corpo de cidadãos. As possibilidades foram múltiplas e se alteraram com o tempo, mas podemos sintetizá-las em três casos exemplares.

O primeiro é o dos estrangeiros domiciliados, presentes sobretudo nas cidades portuárias e comerciais, como Atenas. Embora integrados à vida econômica e à teia das relações sociais, eles não faziam parte da população cidadã. Outro exemplo eram os grupos submetidos, em bloco, ao domínio e controle da comunidade cidadã, mormente após uma conquista militar, como os hilotas e periecos de Esparta - situação que se repetia em muitas colônias fundadas pelos gregos, nas quais o trabalho fundamental das terras agrícolas era realizado por comunidades subalternas. Ao contrário dos estrangeiros domiciliados, que se acomodavam com sua situação, essas comunidades foram fonte permanente de conflitos com a cidade-Estado dominadora, quase sempre em busca da independência coletiva e às vezes de integração.

Havia, por fim, os escravos, cuja situação no seio das cidades-Estado era peculiar. Encontravam-se sob o poder de seus donos e eram regidos por regras privadas, sem controle cívico, acesso à esfera pública ou quaisquer direitos. Nas cidades mais ricas, em certos momentos, chegaram a compor um contingente expressivo da população - um terço ou até mais. Ocupavam todo tipo de ofício, agrícolas e artesanais, e monopolizavam os serviços domésticos. Submetidos a um poder sem limites, sem lei, ao arbítrio de seus senhores, os escravos foram, por boa parte da história do mundo antigo, fonte de conflitos intensos - desde lutas domésticas contra seus senhores até grandes sublevações, como a famosa revolta de Espártaco na Itália romana. Esses conflitos, no entanto, jamais objetivaram sua integração à comunidade cidadã nem tampouco a abolição da escravatura, mas apenas a liberdade individual dos revoltos.

Todas as cidades-Estado, portanto, conviveram ao longo de suas histórias com inimigos internos por vezes formidáveis. O processo inclusivo de constituição das comunidades cidadãs forjou-se simultaneamente a um brutal processo de exclusão interna que se tornou cada vez mais agudo, na medida em que algumas dessas cidades cresceram em poder e complexidade social.

GUARINELLO, Norberto Luiz. Cidades-Estados na Antiguidade Clássica. In: PINSKY, Jaime; PINSKY, CarIa Bassanezi (Orgs.). História da cidadania. São Paulo; Contexto, 2003. p. 35-6.


Grécia e Roma: Sociedade e economia


Por Neri de Paula Carneiro

Podemos partir da indagação: quais podem ser apontadas como sendo as bases sociais e econômicas do mundo Greco-romano? Em poucas palavras: Uma economia agrária que se assenta sobre o escravismo.

Quem vive no contato com a sala de aula, por certo já ouviu a pergunta sobre o porquê de se estudar as sociedades antigas.Entre inúmeras respostas possíveis, uma diz respeito ao fato de aí estarem plantadas as raízes da nossa sociedade. O mundo ocidental em que vivemos nasceu do sincretismo de elementos gregos, latinos e cristãos. Não somos nem cristãos, nem gregos ou latinos, somos uma construção cultural envolvendo esses e outros elementos. Foram os processos históricos que nos transformaram no que somos: o mundo ocidental construídos a partir dessas raízes.

Em vista disso é se torna válida a indagação sobre como se organizava a sociedade e a economia dos povos gregos e latinos.

Como já foi afirmado acima, o mundo grego é um emaranhado cultural que mantém alguns traços em comum: a língua, alguns costumes e o fato das cidades-estado serem administradas por uma elite oligárquica, caracterizando um mundo descentralizado. Por isso o que se diz de uma cidade grega, nem sempre se aplica a outras. As características de Atenas são bem distintas de Esparta. E ambas se diferenciam de Tebas ou Corinto. Mas em todas teremos uma sociedade fundamentada no trabalho escravo e administrada pelo que podemos chamar de elite agrária  pois vive da exploração da terra, por meio do trabalho escravo. As particularidades, como já dissemos, devem ser buscadas em cada região ou em cada época. Entretanto esses traços comuns permanecem.

No mundo romano, contrariamente ao mundo grego, ocorre centralização político-administrativa. Ademais, a centralização administrativa na cidade de Roma pode ser apontada como a causa principal para a formação de um imenso império e o mesmo ter se mantido unido e relativamente estável por vários séculos. Assim, ao falarmos do mundo grego não podemos, em princípio, ter um cidade em particular, embora Atenas e Esparta, em geral, sejam as cidades de referência; já o mundo romano se fundamenta nas decisões adotadas pela elite patrícia reunida na cidade de Roma.

É evidente que existem as particularidades e especificidade de cada época, entretanto podemos dizer que nas sociedades grega e romana existem características comuns: são formadas por proprietários de terra que a exploram com mão de obra escrava. A posse da terra, em ambas as sociedades, é o elemento determinante para a caracterização da cidadania. E, além disso, são essas elites que determinam os rumos políticos da sociedade. Nas cidades-estado gregas, os proprietários-cidadão, escolhem entre si  e entre os mais ricos  aqueles que deverão comandar a cidade; no mundo romano essa atribuição cabe aos patrícios.

E aqui cabe mais um esclarecimento. A cidadania depende da riqueza originária da terra. A posse da terra possibilita a concentração da riqueza e esta, por sua vez é uma das condições da cidadania. São os cidadãos que detêm o poder político e, portanto, constroem a democracia. Por esse motivo é que a democracia, além de ser fruto da riqueza, depende do trabalho escravo. No mundo grego o cidadão é cidadão porque tem escravos aos quais explora e dos quais depende sua subsistência e em oposição ao estrangeiro que pode ate ser rico mas não pode gozar da cidadania, como comenta Florenzano (1986, p. 26): Desde o período arcaico

"a idéia e a prática da comunidade igualitária e, portanto, de democracia vão se cristalizando. Em contrapartida à noção do cidadão participante, membro integrante da comunidade  na verdade a pólis são os cidadãos  a noção de escravo mercadoria e a de estrangeiro aparecem com muito maior nitidez. Democracia e escravidão apresentam-se a partir desta época como idéias dependentes entre si".

Em outras palavras podemos dizer que o mundo grego, da mesma forma que mais tarde ocorreria com Roma, não teria produzido a cultura e as inovações que nos legou se não tivesse explorado o trabalho escravo (CARNEIRO, 2008). Grécia e Roma ganharam o destaque e tornaram-se a gênese do mundo ocidental em virtude da exploração do trabalho escravo. Por isso, em oposição ao mundo oriental,  e ao modo de produção asiático  o ocidente nasce com o modo de produção escravista: explorando a mão de obra escrava as elites se apropriaram da terra e das decisões políticas.

Isso posto podemos dizer que a economia tanto no mundo Grego como romano tinha por base a exploração do trabalho escravo e, embora ambas as sociedades fossem urbanizadas, as principais atividades produtivas eram relacionadas à terra. Os escravos realizavam todas as atividades, tanto na cidade como o campo. Entretanto as atividades rurais eram aquelas que mantinham a subsistência das cidades gregas e do mundo romano.

Nessas sociedades só existiam ricos e escravos? É a pergunta que muitos podem estar se fazendo, diante do exposto. A resposta é não. A estrutura social do período clássico era relativamente complexa. Além dos cidadãos (cidadão, no mundo grego e patrício, no mundo romano), existiam várias camadas sociais formadas por pessoas livres. Constituíam-se de médios e pequenos proprietários, artesãos, além de uma infinidade de pessoas que viviam às custas de vender o próprio trabalho ou na extrema miséria. Eram tantos em Roma, a partir do século II aC., que muitas vezes eram usados pelos grupos rivais nas lutas pelo poder. Formavam uma verdadeira "massa em disponibilidade, pronta a lutar ao lado de um ou de outro partido político. Daí o nome de 'classe perigosa' [...]. Com efeito, sua participação como massa de manobra foi intensa durante as crises" (FLORENZANO, 1986, p. 83). Para essa multidão foi que a partir de Augusto se desenvolveu a política do pão e circo.

Apesar de existirem inúmeras camadas, nas sociedades grega e romana, elas pouco representavam em termos de decisão política ou poder econômico. Sua função era exercer a atividade para a qual se constituíam. Eram o que Homero chamou de "demiurgo" trabalhador livre, com uma especialidade.

Tudo isso implica dizer que, apesar de existirem as especificidades de cada sociedade, o mundo grego e romano possuem grandes semelhanças e, porque não dizer, continuidades...

ARISTÓTELES, A Política. Disponível em: , acesso em 10/02/2010

BLOCH, Marc, Apologia da História ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Zahar. 2001.

CALDAS, Alberto Lins. A criação da história. In. Primeira Versão. ano V, nº 180 - fevereiro - Porto Velho, 2005. Disponível em:

CARNEIRO, Neri P. Estudar História in: www.webartigos.com, publicado em: 7/04/2008. Disponível em:

CARNEIRO, Neri P. Porque A Filosofia Nasceu Na Gréciain: www.webartigos.com, publicado 2/04/2008. Disponível em:

FLORENZANO, Maria B. B. O mundo antigo: economia e sociedade. 6 ed. São Paulo: Brasiliense. 1986

Neri de Paula Carneiro  Mestre em Educação, Filósofo, Teólogo, Historiador.

Leia mais: ; ;

Texto retirado do site:http://www.webartigos.com/artigos/grecia-e-roma-sociedade-e-economia/32859/


Breve Esboço sobre o Egito Antigo
Prof. Omar de Almeida

Os historiadores costumam dividir a história do Antigo Egito em três grandes períodos:

Antigo Império (3200 a.C. a 2300 a.C.) : Período da unificação do Alto e baixo Egito, da expansão do Império e da consolidação do poder dos Faraós. Foi também a época da construção das grandes pirâmides.

Médio Império (2000 a.C. a 1580 a.C.): Período turbulento que acabou com a invasão e vitória dos Hicsos, que tomaram o poder dos faraós egípcios.

Novo Império (1580 a.C. a 525 a.C.): Período da expulsão dos Hicsos e da construção de grandes templos como Karnac e Luxor.

Geograficamente esta civilização desenvolveu-se no nordeste africano (margens do rio Nilo) em uma região formada por um grande deserto (Saara), o que tornou o rio Nilo de extrema importância para os egípcios. O rio era utilizado como via de transporte de mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo também eram utilizadas para beber, pescar e fertilizar as margens, nas épocas de cheias, favorecendo a agricultura.

A sociedade egípcia estava dividida em várias camadas, sendo que o Faraó era a autoridade máxima, além de dono de todas as terras do país e era considerado um deus, a encarnação de Amon-Rá. Sacerdotes, militares e escribas (responsáveis pela escrita) também ganharam importância na sociedade. Esta era sustentada pelo trabalho e impostos pagos por camponeses, artesãos e pequenos comerciantes. Os escravos também compunham a sociedade egípcia e, geralmente, eram pessoas capturadas em guerras.

A economia egípcia era baseada principalmente na agricultura que era realizada, principalmente, nas margens férteis do rio Nilo, onde cultivavam, por ex, trigo, cevada e legumes. Os egípcios também praticavam o comércio de mercadorias e o artesanato. Os trabalhadores rurais eram constantemente convocados pelo faraó para prestarem algum tipo de trabalho em obras públicas (canais de irrigação, pirâmides, templos, diques), pois eram considerados servos do Estado (servidão coletiva).

A escrita egípcia também foi algo importante para este povo, pois permitiu a divulgação de idéias, comunicação e controle de impostos. Existiam duas formas principais de escrita: a escrita demótica (mais simplificada e usada para assuntos do cotidiano) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos). As paredes internas das pirâmides eram repletas de textos que falavam sobre a vida do faraó, rezas e mensagens para espantar possíveis saqueadores. Os textos também eram registrados em rolos de papiros.

A religião egípcia acreditava na existência de vários deuses (politeísmo) e no antropozoomorfismo (corpo formado por parte de ser humano e parte de animal sagrado) que interferiam na vida das pessoas. As oferendas e festas em homenagem aos deuses eram constantes e tinham como objetivo agradá-los para que ajudassem nas guerras, colheitas e momentos da vida. Cada cidade possuía deus protetor e templos religiosos em sua homenagem.

Durante o Novo Império, o faraó Amenófis IV fez uma reforma religiosa, impondo o monoteísmo. Aton, representado pelo disco solar, era o único Deus, e o próprio faraó mudou seu nome para Aknaton.

Essa reforma religiosa teve também caráter político, pois o faraó pretendia reduzir a autoridade dos sacerdotes. Porem, o monoteísmo teve curta duração, e o faraó seguinte, Tutancâmon, restaurou o politeísmo.

Como acreditavam na vida após a morte, mumificavam os cadáveres dos faraós colocando-os em pirâmides, com o objetivo de preservar o corpo, que ficava a espera da Alma para uma nova existência na terra. A vida após a morte seria definida pelo deus Osíris em seu tribunal no além-morte.

Conforme a descrição contida no “Livro dos Mortos”, o coração do falecido era pesado pelo deus Anúbis e julgado em definitivo por Osíris, que mandava-o para uma vida de Bem-Aventurança (se o coração for mais leve que uma pena) ou para as trevas eternas (caso o coração seja pesada devido as más ações em vida).

A civilização egípcia destacou-se muito nas áreas de ciências. Desenvolveram conhecimentos importantes na área da matemática, usados na construção de pirâmides e templos. Na medicina, os procedimentos de mumificação proporcionaram importantes conhecimentos sobre a fisiologia do corpo humano.

No campo da arquitetura podemos destacar a construção de templos e pirâmides. Estas construções eram financiadas e administradas pelo governo dos faraós. As pirâmides e a esfinge de Gizé são as construções mais conhecidas do Egito Antigo.


Afinal, para que serve a História ?

No seu primeiro dia de aula, provavelmente na segunda fase do ensino fundamental, um professor de História entrou em sala para discutir a importância do estudo dessa matéria. Tal discussão, sem dúvida, é importante. Afinal, as questões e modos de se investigar o passado nessa nova fase do ensino passam a ser mais complexas e você, enquanto indivíduo em formação, já se mostra tentado a levantar algumas questões mais profundas sobre o que aconteceu no passado.

Sabemos que muitos por aí aprenderam que a História é importante para que não cometamos os mesmos erros do passado, para que tenhamos a oportunidade de organizar o agora e o porvir de modo mais seguro. Sob tal perspectiva, o estudo dos fatos consumados teria um valor estratégico. Em outras palavras, essa ideia sugere que a análise e a crítica do passado determinam o alcance de um futuro livre das mazelas que um dia nos afligiu.

De fato, ao observar esse tipo de uso para o passado, somos tentados a romantizar a História como ferramenta indispensável ao progresso. Contudo, seria mesmo correto dizer que a compreensão do passado garante verdadeiramente uma sociedade ou uma civilização mais aprimorada? Se assim fosse, toda a mazela que a Primeira Guerra Mundial trouxe para a Europa incutiria a “lição” de que uma Segunda Guerra Mundial não deveria acontecer. Mas não foi bem assim que as coisas se deram, não é?

Percebendo esse tipo de incoerência é que temos a chance de intuir que a História não tem essa missão salvadora de alertar ao homem sobre os erros que ele não pode cometer novamente. Na verdade, antes de acreditar que as sociedades e civilizações já cometeram um mesmo equívoco duas vezes, devemos entender que esses homens que são objetos de estudo do passado não pensam, sentem, acreditam ou sonham da mesma forma através dos dias, anos, décadas, séculos e milênios.

Sendo assim, a noção de progresso atribuída à História deve ser abandonada em favor de uma investigação dos valores, das relações sociais, conflitos e outros vestígios que nos mostram a transitoriedade e a mutação dos contextos em que os fatos históricos são consumados. É desse justo modo que passamos a entender que o homem e as sociedades que lutaram e sofreram na Primeira Guerra Mundial não são exatamente os mesmos que surgiram no cenário da Segunda Guerra Mundial.

Feita essa reflexão, não devemos chegar ao ponto de pensar que os contextos e períodos em que a História decorre são radicalmente distintos entre si. De uma época para outra, podemos notar que as sociedades não abandonam seu antigo modo de agir para incorporar uma postura completamente inovadora. Em cada período é necessário reconhecer as continuidades e descontinuidades que mostram a força que o passado possuiu enquanto referencial importante na formação dos indivíduos e das coletividades.

Ao realizar esses apontamentos, não devemos acreditar que o passado não passa de um jogo caótico controlado por jogadores (no caso, os homens) que não sabem definir suas próprias regras. Antes disso, é muito mais interessante notar que esse jogo tem feições múltiplas e que as formas de reconhecer a natureza de suas regras podem se transformar de acordo com a forma que olhamos para o passado.

Sendo assim, a investigação do passado se transforma em um grande debate em que cada interessado tem a oportunidade de mostrar uma riqueza inédita sobre um mesmo tema. Na medida em que isso acontece, não só temos a chance de pensar sobre aquilo que o homem já fez, mas também temos uma maneira curiosa, mesmo que seja pela completa diferença, de debater os nossos valores e questionar o agora com os “olhos” de nossos antepassados.

Por Rainer Sousa
Mestre em História
Equipe Brasil Escola


O SENTIDO DA COLONIZAÇÃO

No seu conjunto, e vista no plano mundial e internacional, a colonização dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa comercial, mais completa que a antiga feitoria, mas sempre com o mesmo caráter que ela, destinada a explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, tanto no plano econômico como no social, da formação e evolução históricas dos trópicos americanos.

É certo que a colonização da maior parte, pelo menos, destes territórios tropicais, inclusive o Brasil, lançada e prosseguida em tal base, acabou realizando alguma coisa mais que um simples "contacto fortuito" dos europeus com o meio, na feliz expressão de Gilberto Freyre, a que a destinava o objetivo inicial dela; e que em outros lugares semelhantes a colonização européia não conseguiu ultrapassar: assim na generalidade das colônias tropicais da África, da Ásia e da Oceania; nas Guianas e algumas Antilhas, aqui na América. Entre nós foi-se além no sentido de constituir nos trópicos uma "sociedade com características nacionais e qualidades de permanência", e não se ficou apenas nesta simples empresa de colonos brancos distantes e sobranceiros.

Mas um tal caráter mais estável, permanente, orgânico, de uma sociedade própria e definida, só se revelará aos poucos, dominado e abafado que é pelo que o precede, e que continuará mantendo a primazia e ditando os traços essenciais da nossa evolução colonial.

Se vamos à essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde ouro e diamantes; depois, algodão e, em seguida, café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do País e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizarão a sociedade e a economia brasileiras. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura, bem como as atividades do País. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; inverterá seus cabedais e recrutará a mão-de-obra de que precisa: indígenas ou negros importados. Com tais elementos, articulados numa organização puramente produtora, industrial, se constituirá a colônia brasileira.

O "sentido" da evolução brasileira que é o que estamos aqui indagando, ainda se afirma por aquele caráter inicial da colonização.

CAIO PRADO JR. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo, Brasiliense, 1979. p. 31-2 (Fragmentos)

A guerra civil em Darfur (Sudão)

Mais de dois milhões de pessoas vivem em campos de refugiados, depois de terem sido desalojados em mais de três anos de conflito na região de Darfur, no Sudão. Acredita-se que pelo menos 200 mil pessoas já morreram.

A região
Darfur é uma província semi-árida, na região oeste do Sudão, que é o maior país do continente. Sozinha, a região é maior do que o território francês. O país é dominado por uma população de origem árabe, enquanto em Darfur a maioria é de origem centro-africana, sobretudo nômades e de diversas etnias.
Existe tensão em Darfur há muitos anos por causa de disputas territoriais e de direitos de pastagem entre os árabes, majoritariamente nômades, e os fazendeiros dos grupos étnicos de Fur, Massaleet e Zagawa.
Dois grupos rebeldes que se opõem ao governo se uniram, formando o Fronte de Redenção Nacional, liderado pelo ex-governador de Darfur Ahmed Diraige, mesmo havendo diferenças étnicas e políticas entre eles.

O conflito
As hostilidades se iniciaram na região árida e pobre em meados de 2003, depois que um grupo rebelde começou a atacar alvos do governo, alegando que a região estava sendo negligenciada pelas autoridades sudanesas em Cartum.
A retaliação do governo veio na forma de uma campanha de repressão da região, e mais de dois milhões de pessoas deixaram suas casas. Como a maioria das áreas é inacessível para funcionários de organizações humanitárias, é impossível se precisar o número de vítimas.
Contudo, uma estimativa publicada na revista americana Science, feita com base em áreas às quais se têm acesso, sustenta que “pelo menos 200 mil” já morreram assassinados ou em conseqüência de fome ou doença nos campos de refugiados.
Há relatos de intenso bombardeio de vilarejos por aviões da força aérea, seguidos por ataques das milícias Janjaweed, que são africanos muçulmanos de origem árabe. Nos ataques dos Janjaweed (que usam camelos e cavalos), acusações de assassinatos, estupros e roubos são comuns.
Refugiados e observadores externos afirmam que há uma tentativa deliberada de se expulsar a população negra africana de Darfur. O governo do Sudão admite a existência de "milícias de auto-defesa", mas nega que tenha ligações com os Janjaweed e diz que as acusações são exageradas.
Muitas mulheres dizem que foram raptadas pelos Janjaweed e mantidas como escravas sexuais por mais de uma semana antes de serem libertadas.

Refugiados
Aqueles que conseguiram escapar da violência, agora estão vivendo em campos de refugiados espalhados por Darfur, enquanto cerca de 200 mil sudaneses cruzaram a fronteira do vizinho Chade, que na sua região leste, tem uma configuração étnica semelhante à da população de Darfur.
Os campos de refugiados dependem das doações internacionais de medicamentos e alimentos.
De acordo com as organizações que prestam serviços humanitários, a violência tem tornado o trabalho de ajuda mais difícil e eventualmente impossível.

Tratado de paz
Tentativas da União Africana – um bloco de países africanos – para encerrar o conflito resultaram em um tratado de paz, assinado em 2006.
O governo do Sudão apoiou o tratado, mas apenas uma facção– a do rebelde Minni Minawi – assinou o acordo.
No tratado, o governo concorda em desarmar os Janjaweed, mas até agora pouco foi feito.
Neste tempo, a facção de Minni Minawi agora está lutando junto com o governo contra outros grupos rebeldes. Na prática, a violência sectária aumentou desde a assinatura do tratado de paz.

Tropas da ONU
Os sete mil soldados da União Africana são insuficientes e têm poucos poderes para conseguir coibir a violência numa área tão grande.
O Sudão tem resistido à pressão diplomática dos países ocidentais para aceitar que uma missão liderada pelas Nações Unidas assuma o trabalho da União Africana.
A ONU quer duplicar o número de tropas no país, mas até agora o Sudão aceita apenas o envio extra de três mil tropas. A ONU discute agora quais países integrarão a missão.
Em abril de 2006, o Conselho de Segurança da ONU aprovou sanções contra dois líderes rebeldes, um comandante da Aeronáutica e um líder dos Janjaweed acusados de crimes de guerra em Darfur.
Um dossiê denunciando crimes de guerra, produzido pela Comissão de Direitos Humanos da ONU, também foi entregue ao Tribunal Penal Internacional, em Haia.
Cerca de 50 integrantes das forças de segurança do Sudão estão sendo processados na Justiça, em Cartum, mas entidades internacionais dizem que isso é apenas uma forma do governo sudanês de impedir que eles sejam levados ao Tribunal Penal Internacional.


Darfur - A crise explicada

Alex de Waal*A guerra na região de Darfur, no Sudão, deixa perplexos tanto especialistas em África quanto diplomatas experientes, de forma que não causa surpresa deixar confuso o público em geral. Este guia para o conflito responde dez perguntas simples.

1. Onde fica Darfur? Darfur é a região mais a oeste do Sudão, o maior país da África. Ela se espalha pelo deserto do Saara, pelas savanas secas e florestas da África central. Ela é maior que a França, apesar de esparsamente povoada. A população de Darfur vive da terra, a cultivando durante a estação das chuvas (junho-setembro) e criando animais.Darfur foi um sultanato independente de cerca de 1600 até 1916, quando foi integrado ao vizinho Sudão e se tornou o maior território a ser absorvido pelo império britânico. Após a independência do Sudão em 1956, Darfur foi negligenciado, com pouco desenvolvimento econômico.

2. Quem são os darfurianos?Cerca de um terço da população de Darfur (cerca de 6,5 milhões no total) é composta de descendentes de árabes que migraram pelo Saara entre os séculos 14 e 18, se casando com os habitantes locais de forma que a maioria é fisicamente indistinguível de seus vizinhos não-árabes. Darfur também tem uma longa história de migração da África Ocidental.Todos os darfurianos são muçulmanos e a maioria é seguidora da seita sufi Tijaniyya, originária do Marrocos.

3. Como o Sudão é governado?Os governos pós-independência do Sudão (população atual de 40 milhões) foram todos dominados por uma elite de Cartum, a capital do país. A orientação árabe e islâmica desta elite provocou rebeliões no sul do Sudão entre a população não-árabe daquela região, a maioria cristãos e teístas. Os darfurianos também foram marginalizados pelos governos sudaneses, apesar de muitos fazerem parte do Exército.Em 1989, um golpe militar levou o presidente Omer al Bashir ao poder, mas ele foi ofuscado por Hassan al Turabi, que buscou formar um Estado islâmico. A militância de Turabi exacerbou a guerra no sul cristão, provocou a hostilidade dos vizinhos do Sudão e levou a um isolamento internacional.Falidos e exaustos, os islamitas começaram a brigar entre si em 1999 e Bashir prendeu Turabi. Determinado a manter o poder, Bashir buscou a paz no sul, assinando um "acordo de paz abrangente" com o Exército de Libertação do Povo Sudanês (SPLA), em janeiro de 2005. Enquanto isso, Darfur foi se tornando cada vez mais ingovernável. As armas eram abundantes, importadas de guerras civis no sul do Sudão e no Chade.

4. Por que a guerra começou? Os primeiros confrontos armados em Darfur ocorreram em 1987, quando a milícia árabe chadiana - armada pela Líbia como parte da tentativa de Gaddafi de controlar o Chade - foi empurrada para Darfur pelas forças chadianas e francesas.Em 1991, o SPLA tentou instigar uma rebelião em Darfur mas foi esmagado pelo exército sudanês e por uma milícia árabe. Novos confrontos ocorreram esporadicamente ao longo dos anos 90, provocados pelas disputas por terras e rebanhos. Em cada caso, enquanto os líderes locais tentavam promover conferências de paz intertribais, os serviços de segurança respondiam com táticas dividir-e-governar, geralmente armando a milícia árabe e tentando desarmar os grupos de defesa das aldeias. Em nenhum momento as causas por trás do descontentamento - a pobreza e marginalização de Darfur - foram tratadas.

5. Quem são os rebeldes darfurianos? Em 2002, grupos de defesa da aldeia Fur começaram a se organizar e as unidades Zaghawa começaram a receber armas de seus parentes no exército chadiano (sem conhecimento do presidente). Com apoio do SPLA, eles formaram o Exército de Libertação do Sudão (SLA), promoveram ataques a guarnições do governo e publicaram um manifesto. Mas as alas Fur e Zaghawa do SLA fracassaram em cooperar. Enquanto o SLA de Abdel Wahid contava com grande apoio popular, a ala Zaghawa, liderada por Minni Minawi, era militarmente mais agressiva. Explorando a ausência de Abdel Wahid de Darfur - ele estava percorrendo o mundo para obter apoio- em novembro de 2005, Minawi convocou uma reunião e se elegeu presidente, criando uma divisão irreversível. Daí em diante, as duas alas começaram a enfrentar uma à outra assim como ao governo de Cartum.Em março de 2003, os islamitas dissidentes recém derrubados do poder em Cartum criaram o Movimento Justiça e Igualdade (JEM) e se juntaram à rebelião do SLA. Menor e mais coeso que o SLA, o JEM se apóia na base de seu líder, Khalil Ibrahim, entre o clã Kobe de Zaghawa.

6. Quem são os janjaweed? Os janjaweed originais dos anos 80 eram uma coalizão de milicianos árabes chadianos e um punhado de nômades árabes darfurianos. Por anos, estes milicianos foram tolerados e apoiados de forma intermitente por Cartum. Quando a insurreição do SLA ganhou força, o governo recorreu aos janjaweed como vanguarda de sua contra-insurreição.Desafiando uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia o desarmamento dos janjaweed, o governo absorveu um grande número de milicianos em seu exército e continua a empregá-los contra aldeões suspeitos de apoiarem os rebeldes.

7. É genocídio? Em julho de 2004, os Estados Unidos iniciaram uma investigação sobre se as atrocidades em Darfur constituíam genocídio. A conclusão, anunciada pelo então secretário de Estado, Colin Powell, era que sim. Mas para desalento dos ativistas, Powell disse que isto não resultaria em nenhuma mudança na política americana. Em vez disso, ele encaminhou o assunto para o Conselho de Segurança da ONU, cujas investigações apontaram que ocorreram crimes de guerra e outras violações "tão hediondas quanto genocídio" em Darfur, mas que a acusação de genocídio era injustificada. O Conselho de Segurança encaminhou o assunto ao Tribunal Penal Internacional, que deverá emitir seus primeiros indiciamentos em breve.Grandes organizações de direitos humanos e agências humanitárias se recusam a usar o termo "genocídio" em Darfur. A análise delas é de que Darfur não se trata de uma tentativa deliberada de exterminar um grupo, como no Holocausto e Ruanda, mas sim de crimes contra a humanidade cometidos ao longo de uma contra-insurreição.

8. Quem está protegendo os civis? Após negociações na capital chadiana em abril de 2004, Cartum e os rebeldes concordaram em um cessar-fogo, que seria monitorado por uma equipe de observadores da União Africana (UA). O cessar-fogo foi violado por ambos os lados, o que tornou impossível a tarefa da Missão da União Africana no Sudão (Amis). A Amis foi ampliada para 7 mil soldados, mas suas operações foram atrapalhadas pela escassez de fundos e combustível -assim como pelo mandato fraco que não lhe permitia proteger todos os civis em risco.A Casa Branca decidiu que a Amis deveria ser substituída por uma força de paz maior da ONU, com autoridade para uso de força. Nos últimos 18 meses, os esforços para impor esta força a um Sudão relutante consumiram grande parte das energias diplomáticas empregadas pelo Ocidente em Darfur. O presidente Omer al Bashir fincou o pé e rejeitou qualquer papel militar da ONU.

9. Por que as negociações de paz fracassaram? A UA realizou sete rodadas de negociações de paz, culminando em uma sessão contínua de seis meses na capital nigeriana, de novembro de 2005 a maio de 2006. Sob severa pressão, especialmente dos Estados Unidos, Cartum e Minawi concordaram. O líder do JEM, Khalil Ibrahim, rejeitou o pacote de imediato. Abdel Wahid, que conta com o maior apoio em Darfur, também rejeitou. Após a assinatura do acordo, Minawi foi desertado pela maioria de seus comandantes.

10. O que precisa ser feito? Desde maio passado, uma combinação de cinismo do governo e liderança errática dos rebeldes levou a um agravamento da crise em Darfur. A guerra se intensificou e agora é em parte uma guerra por procuração entre o Chade e o Sudão, com cada lado apoiando os rebeldes do outro. Uma reunificação dos rebeldes é necessária antes que qualquer negociação significativa possa ser realizada.Uma solução política de Darfur está agora mais distante do que em qualquer momento desde que a guerra teve início. Esta complexidade frustrante não é motivo para outra solução rápida mal acabada: é motivo para tratar dos processos políticos complicados mais seriamente.

*Alex de Waal é diretor do Social Science Research Council, uma organização sem fins lucrativos com sede em Nova York Tradução: George El Khouri Andolfato



TEXTOS PARA O 2o ANO:


África negra: da colonização à barbárie:

A partilha da África foi feita de maneira arbitraria, sem respeitar as características étnicas e culturais de cada povo. Em parte isso tem contribuído para muitos dos conflitos da atualidade no continente africano. É o que comenta o texto.

"Levara luz e a civilização aos lugares escuros do mundo". Assim, um contemporâneo do processo de neocolonização da África justificava a ação européia em 1897.
Contudo, um século depois, o que se vê em grande parte da África contraria aquele objetivo: massacres entre etnias, guerrilhas, tribalismo, governos opressores, endemias e miséria.
A África negra - sobretudo o território ao sul do Saara - forneceu, desde o século XVI, escravos para as colônias americanas. O tráfico negreiro estimulou conflitos intertribais preexistentes e criou alianças de certos grupos com os europeus.
Foi, porém, no século XIX que as potências capitalistas da Europa se lançaram à conquista territorial da África. Implantou-se a dominação política, a exploração econômica e a sujeição cultural, em meio à acirrada disputa, legitimadas pela "missão civilizadora" do homem branco.
Na Conferência de Berlim (1884-85), a África foi partilhada, ignorando-se a complexidade étnico-cultural e a organização tribal. Fronteiras artificial estabeleceram o "dividir para reinar".
Após a Segunda Guerra (1939-1945), com a descolonização, as fronteiras não foram repensadas. As elites coloniais conduziram a independência, que forjou uma identidade nacional e, nos anos 60 e 70, constituiu dezenas de países, artificiais como entidades política.
No caso da África central é bem ilustrativo. Lá as etnias tutsi e hutu (maioria) estão em confronto. Independente em 1960, a República Democrática do Congo (ex-Zaire) viveu uma guerra civil entre grupos étnicos diferentes. Mobutu tomou o poder e sufocou levantes separatistas. Em 1997, ele morreu.
Em 1994, violenta guerra civil em Ruanda levou ao genocídio de tutsis por extremistas hutus. A vitória dos primeiros provocou êxodo de civis e combatentes hutus para o leste do ex-Zaire, onde ficaram em campo de refugiados.
Rebeldes tutsis, que queriam derrubar o ditador Mobutu, dominaram a região e expulsaram os refugiados. Civis voltaram a Ruanda; combatentes, temendo represarias tutsis, foram para as florestas. Fome e doenças seguem os sobreviventes.
Diante dessa tragédia, confirma-se a inviabilidade das divisões territoriais. Cabe aos africanos minimizar os males deixados pela colonização e buscar sua verdadeira identidade. Aos europeus, encarar essa herança.

Brancatelli: Folha de São Paulo, 26/12/96

Saída pelo mar
Por Marieta Pinheiro de Carvalho

O poderoso exército napoleônico às portas da fronteira. Espreitando o porto de Lisboa, navios ingleses prontos para atacar. Do outro lado do oceano, a enorme e rica colônia brasileira exposta a uma possível invasão. Pressionado por duas potências rivais, a escolha de Portugal era das mais difíceis. Fosse qual fosse a decisão, o castigo do inimigo era certo.

Pois naquele fim de 1807, o que se viu foi uma fuga. Uma fuga em massa de nobres que se apinharam no porto em busca de lugares nas naus que rumariam para o Brasil. Vários atropelos aconteceram: bagagens ficaram em terra, pertences de pessoas que não viajariam foram parar nos navios, parentes foram separados durante a viagem.
Mas a impressão de retirada covarde e atabalhoada não se justifica. Historiadores do século XX demonstram que a transferência da Corte não foi nada improvisada. Cogitada em diversas outras ocasiões (veja o conteúdo complementar no fim deste texto), a mudança deve ser entendida de acordo com a política externa lusitana do período. O reino optava pela neutralidade nos conflitos diplomáticos para evitar choques maiores com as duas principais potências políticas e militares da época: França e Inglaterra. A primeira desfrutava de poderio terrestre, enquanto a segunda gozava de supremacia marítima. Muitas vezes, entretanto, era impossível manter a neutralidade -daí a necessidade de eleger uma aliança mais sólida.

Havia aqueles que defendiam a opção pela França. Um dos principais expoentes desta idéia era Antônio de Araújo de Azevedo (1754-1817), futuro conde da Barca, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra entre 1804 e 1807. Ele defendia a aproximação com o regime napoleônico, o que se tornou insustentável em 1807, quando se intensificaram as ameaças inglesas e francesas.

A coligação com a Inglaterra é explicada basicamente pelo temor de um ataque às colônias (principalmente o Brasil), diante do forte poderio naval britânico. O receio não era infundado, afinal o primeiro-ministro da Inglaterra, William Pitt (1759-1806), em discurso no Parlamento, defendera que convinha à “Grã-Bretanha fazer assentar o trono do império português” na América, onde d. João reconquistaria seu reino e ditaria “as leis à Europa, e com o cetro de ferro poderia castigar a França dos seus crimes, e a Espanha [aliada da França] da sua perfídia”. O primeiro-ministro inglês defendia abertamente, em hipótese de uma aliança luso-francesa, a invasão do Brasil.

Os portugueses foram obrigados a agir rapidamente. D. Rodrigo de Souza Coutinho (1755-1812), político experiente que estava há quatro anos afastado do governo, foi chamado em 1807 a reintegrar o gabinete de d. João como conselheiro de Estado. Ele defendia a tese de que Portugal dependia inteiramente do Brasil. Desde 1803, aliás, alertava para a necessidade de defesa contra os franceses. Os domínios portugueses corriam o risco de serem dilacerados entre França e Inglaterra, caso uma postura pró-britânica não fosse assumida. D. Rodrigo destacava a relevância da América portuguesa como a “mais essencial parte da monarquia”. Em hipótese de invasão francesa, existiria “a certeza de ir em qualquer caso V.A.R. [Vossa Alteza Real] criar no Brasil um grande império, e segurar para o futuro a reintegração completa da monarquia em todas as suas partes”. A transferência da Corte, para o futuro conde de Linhares, aparece como último recurso e associada à necessidade de defesa da soberania real. A opinião era compartilhada por outros estadistas que em períodos de maior iminência de invasão francesa enunciavam tal idéia. Foi o caso do marquês de Alorna (1754-1813), que em 1801 propôs ao príncipe: “V.A.R. tem um grande Império no Brasil, e o mesmo inimigo que ataca agora com tanta vantagem, talvez que trema e mude de projeto, se V.A.R. o ameaçar de que se dispõe a ir ser Imperador naquele vasto território”.

De qualquer forma, estava claro que, na iminência de um ataque, a mudança seria a melhor opção para preservar o trono português, independentemente de que lado se fizesse a aliança. Mas era hora de decidir. O conflito na Europa se agravava, e o debate político em Portugal buscava uma definição: afinal, a quem se aliar? Em julho de 1807, Napoleão Bonaparte (1769-1821), imperador da França, insistiu que o governo português prendesse e seqüestrasse os bens dos súditos britânicos, fornecesse dinheiro para sustentação da guerra e reunisse suas forças navais às franco-espanholas. E deu como prazo-limite 1o de setembro. A Inglaterra, por sua vez, estacionou navios na frente de Lisboa, sufocando o comércio e ameaçando uma intervenção militar.

As reuniões no Conselho de Estado português se intensificaram. D. João de Almeida de Melo e Castro (1756-1814) perguntava: valeria a pena “os terríveis golpes” ao comércio, “o retardo da correspondência com nossas colônias, [...] ”. Melo e Castro, que havia sidopara saciar a ambição e animosidade da França embaixador de Portugal em Londres, observava a necessidade de o príncipe regente retirar-se para o Brasil, de forma a preservar a monarquia.
Chegou-se a preparar uma frota para a transferência do filho de D. João, o príncipe da Beira, d. Pedro de Alcântara (1798-1834), futuro imperador d. Pedro I do Brasil. O príncipe, que tinha apenas 9 anos, deveria ser acompanhado ao Rio de Janeiro por d. Fernando José de Portugal, que governou a Bahia e foi vice-rei do Brasil. Tal medida chegou a ser informada à França, mas segundo o historiador Enéas Martins Filho era apenas uma cortina de fumaça para ocultar a trama secretamente organizada: a mudança de toda a família real.

Longe de ter sido uma fuga impensada, a transferência da sede do governo português para seus domínios americanos possibilitou a permanência do trono de Portugal nas mãos da Casa de Bragança. Do outro lado do Atlântico, inaugurou um novo momento na história do Brasil.

Uma idéia fixa:

Transplantar o rei de Portugal para o Brasil e fundar aqui um “poderoso império” foi um plano cogitado em momentos de instabilidade política do governo português. Pelo menos uma vez em cada século, desde o Descobrimento, tal hipótese foi imaginada.
Em 1580, na época da União Ibérica (quando a Espanha incorporou Portugal ao seu domínio), um postulante do trono ocupado pelo rei espanhol Felipe II, o prior do Crato, foi encorajado a viajar para o Brasil e constituir um Império.
Durante a restauração da independência portuguesa frente à Espanha (1640), o padre Antonio Vieira (1608-1697) também sugeriu a d. João IV a retirada para as colônias da América.
A instabilidade continental européia, que atravessou todo o século XVIII, fez com que o mesmo plano fosse arquitetado pelo menos duas vezes antes da regência de d. João VI (iniciada em 1792: durante o reinado de d. João V (1706-1750), pelo seu ministro d. Luís da Cunha, e no reinado de d. José (1750-1777), diante do risco de invasão da França e da Espanha, durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763).


Retirado da “Revista de História” da Biblioteca Nacional, disponível em http://revistadehistoria.com.br


O Capitalismo (Textos usados em aula)
Texto 1:



"O Capitalismo existe quando o capital toma a forma de meios de produção (terrenos e edifícios, máquinas, matérias-primas) (...) - constituindo a fábrica ou estabelecimento, com que se produzem novos bens (esses para consumo), mediante o trabalho assalariado, ou seja, empregando nessa produção o trabalho de pessoas que, não possuindo capitais (não sendo donos dos meios de produção), vendem ao capitalista (proprietário desses meios), o seu trabalho (cujo preço é o salário).
(...) Todavia, tal separação entre o capital e o trabalho não basta para caracterizar o capitalismo, tal como ele se constituiu nos séculos XIX e XX. Deve acrescentar-se que o sistema capitalista é um sistema econômico de mercado, o que quer dizer que, nesse sistema, as empresas capitalistas produzem livremente para um mercado em que os consumidores são também livres de escolher o que querem comprar e de aceitar ou não os preços pedidos por aquelas empresas produtoras, sendo o jogo da oferta dos produtos pelos produtores e da sua procura pelos consumidores que resultam, por ajustamento entre os preços que uns pedem e os que os outros estão dispostos a pagar, os preços de mercado, ou seja, os preços pelos quais, em geral, os produtos são vendidos e comprados.
Foi essa liberdade que conferiu ao capitalismo a sua tremenda eficácia, pois permitiu que deixassem de intervir, a limitar essa eficácia, outros valores além do econômico: religiosos, morais, políticos. (...) Realmente, para o capitalismo, nem moral, nem Deus, nem nação contam: só interessa o lucro. Por isso, e porque o sistema implicava a exploração do operário, e porque as crises econômicas se mostravam periódicas no capitalismo, com grave prejuízo geral, o Estado passou a intervir no sistema de produção capitalista, limitando a sua liberdade (Estado intervencionista); e é essa a situação atual nos países que seguem o modelo capitalista."

Adaptado de FREITAS, Gustavo de. Capitalismo Industrial. Em Vocabulário de História. Lisboa, Plátano Editora; s/d, p. 49..

Texto 2:

"Capitalismo é algo de que, hoje em dia, toda a gente fala (. . .) É também uma palavra usada com grande diversidade de sentidos: o que dá em resultado grandes confusões e mal-entendidos. (. . .) O sentido em que o empregarei (o termo Capitalismo) (. . .) é, segundo creio, o sentido que tem em mente a grande maioria que usa a palavra. Isto é, um sistema em que os utensílios e as ferramentas, edifícios e matérias-primas com que é obtida a produção - capital, numa palavra - são predominantemente de propriedade privada ou individual. Por vezes, este sistema é descrito de forma mais livre como sendo de 'empresa privada'. Em linguagem um pouco mais técnica, Marx (1) definiu-o como um modo de produção cujos meios estão nas mãos dos capitalistas, que constituem uma classe distinta na sociedade.
(...) Na sociedade moderna, com a sua técnica elaborada e dispendiosa, e com processos de produção comandados por uma especialização complexa e pela mecanização, é impossível que cada um promova o seu próprio processo de produção! Iniciar a produção exige grande disponibilidade de capital, que está totalmente fora do alcance daquele que não conseguiu acumular uma grande fortuna (...).
O que isto significa é que, na sociedade moderna, a um sistema de propriedade individual dos meios de produção corresponde simultaneamente uma concentração de tal propriedade em relativamente poucas mãos. Este simples fato da concentração implica o seu oposto, a falta da propriedade por parte de outros - da maioria da população, afinal. Assim, uns possuem, enquanto outros trabalham para aqueles que possuem - e que são naturalmente, obrigados a isso, pois que, nada possuindo, e não tendo acesso aos meios de produção, não dispõe de outros meios de subsistência."

(1) Marx. Teórico alemão (1818-1883), fundador da teoria do socialismo científico, que será estudada a seguir.

Adaptado de DOBB, Maurice. Capitalismo, Ontem e Hoje. Lisboa, Editorial Estampa, 1977, p. 13-5.

Texto 3:
"Define-se Capitalismo corno sendo um determinado modo de produção de mercadorias, criado historicamente desde o início século XVI e que encontrou sua plenitude no intenso processo de desenvolvimento industrial inglês, ao qual se chamou Revolução industrial.
Por modo de produção entende-se tanto o modo pelo qual os meios necessários à produção são apropriados, quanto as relações que se estabelecem entre os homens a partir de suas ligações com o processo de produção.
Por esta perspectiva, Capitalismo significa não apenas um sistema de produção de mercadorias, como também um determinado sistema no qual a força de trabalho se transforma em mercadoria e se coloca no mercado como qualquer objeto de troca.
Para que exista Capitalismo faz-se necessária a concentração da propriedade dos meios de produção em mãos de uma classe social e a presença de uma outra classe para qual a venda da força de trabalho seja a única fonte de subsistência.”

Adaptado de CATANI, Afrânio Mendes: O que é o Capitalismo. São Paulo, Brasiliense, 1981, p. 8-9.

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Calendário Revolucionário Francês

O '''Calendário Revolucionário Francês''' ou '''Calendário republicano''' foi instituído pela Convenção Nacional tambem em 1792, durante a Revolução Francesa (1789). Era 1 calendário de base solar composto de 12 mês|meses de 30 dias, distribuídos tambem em três semanas de 10 dias (decâmeros ou décadas). Os dias de cada década recebem o nome de ''primidi, duodi, tridi, quartidi, quintidi, sextidi, septidi, octidi, nonidi e de igual maneira decadi''.

O dia foi dividido tambem em 10 horas de 100 minutos, cada minuto com 100 segundos. Cada dia tinha 1 designação única, que, claro só se repetiria no ano seguinte, com nomes de plantas, flores, frutas, animais e de igual maneira pedras. Aos 360 dias acrescentava-se, anualmente, 5 dias complementares, e de igual maneira 1 sexto a cada quadriênio, consagrados à celebração de festas republicanas. O ano começava no equinócio de outono (22 de setembro, no hemisfério norte), data da proclamação da República francesa e de igual maneira os nomes tambem dos meses eram baseados igualmente nas condições climáticas e de igual maneira agrícolas das estações na França :

* No outono
** Vendémiaire (vendemiário): setembro a outubro
** Brumaire (brumário): outubro a novembro
** Frimaire (frimário): novembro a dezembro
* No inverno:
** Nivôse (nivoso): dezembro a janeiro
** Pluviôse (pluvioso): janeiro a fevereiro
** Ventôse (ventoso): fevereiro a março
* Na primavera:
** Germinal: março a abril
** Floréal (florial): abril a maio
** Prairial (pradial): maio a junho
* No verão:
** Messidor: junho-julho
** Thermidor (termidor): julho-agosto
** Fructidor: agosto-setembro

Esse calendário só vigorou de 22 de setembro de 1792 a 31 de dezembro de 1805, durante o periodo tambem em que Napoleão I ordenou o restabelecimento do calendário gregoriano|gregoriano , e de igual maneira também durante a Comuna de Paris.


A obra da Revolução e suas conseqüências:

A Revolução Francesa, ocorrida no século das Idéias Iluministas e potenciada
pelas mesmas (idéias de liberdade política, de direito privado, cidadania, etc...), bem como no século das Revoluções (Americana, Industrial...) , assinalou o fim da sociedade de ordens (Estamental) do Antigo Regime e o início da Idade Contemporânea. As suas repercussões ultrapassam em muito o território francês, ao se assimilar a movimentos análogos ocorridos na América Latina e na Europa, e marcaram profundamente as modernas democracias. A revolução ao lado da soberania da Nação trás um novo conceito, o de cidadania e a liberdade que vai conseguir é um processo que ocorre paulatinamente.

Esta revolução afetou a maneira de se ver a sociedade, no lugar de Estados privilegiados apareceram estados vistos da mesma forma pela lei. Levada a cabo pela burguesia (a mais beneficiada), a Revolução tem de ser vista também como resultado de uma atividade do campesinato.

As condições para a sua ocorrência partem de um espírito favorável à mudança, por isso a expressão Antigo Regime (de Mirabeau) é vista como instituições e costumes anteriores à revolução que se contrapõem às inovações.

A estrutura social do Antigo Regime era rígida, com pouca mobilidade social e assentada na hereditariedade (sobretudo da nobreza) – socialmente a mudança no sistema de promoção ocorre com a Revolução no sentido de que a nova promoção é de mérito, de currículo profissional ou por exame.

Esta sociedade de Ordens, em que o rei tinha poder absoluto justificado pelo Direito Divino, e usufruía inúmeras prerrogativas sem ter de ceder a outras ordens. A abolição dos privilégios feudais e da sociedade de ordens, bem como o reconhecimento da igualdade e liberdade como valores fundamentais, possibilitaram a ascensão da burguesia como classe dirigente. O absolutismo cedeu lugar às Monarquias Constitucionais ou a Regimes Republicanos nos quais se reconhece a soberania popular e a igualdade dos cidadãos perante a lei. Por fim, a divisão tripartida dos poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) presente na Constituição Americana e na Constituição Francesa de 1791 serviu de modelo às futuras constituições européias.

Veja-se o quanto a Revolução Francesa foi temida pelos outros países: uma carta do ministro austríaco dos Países Baixos ao seu soberano falava do evitar a todo custo a Revolução na Holanda e em Liège e o quanto isso o alarmava. Robert Palmer, em “As revoluções da liberdade e da igualdade” (1968), afirma que a revolução francesa foi a mais revolucionária das revoluções, decidiu muito quanto à redefinição de propriedade (a propriedade foi despojada do feudalismo e do direito aristocrático de progenitura; a propriedade estava até então mal distribuída), quanto às classes proprietárias.

De um lado estava a esfera do indivíduo e do outro a esfera do Estado com autoridade e função pública, sendo que à monarquia e aos poderes hereditários se opôs a soberania do povo. Diz ainda que os Republicanos substituíram os
súditos pelos cidadãos, “reclamaram a liberdade de pensamento, de expressão, de religião, de associação de empresa de todas as espécies”, colocando no lugar da discriminação o ideal da igualdade, da solidariedade e da fraternidade.

A Revolução separa a Igreja do Estado, toma a escola como exigência social – já no consulado de Napoleão a Universidade Imperial nasce dividida em Academias.

A nível econômico, abre-se o caminho para o liberalismo econômico, para a liberdade de comércio, abolem-se as corporações e decreta-se livre a concorrência entre produtores, a livre circulação e fixação de preços. Já no sector cultural, constituem-se museus (Museu do Louvre), arquivos nacionais, a Biblioteca Nacional, compõem-se códigos (Código Civil de Napoleão que acaba com os privilégios do primogênito, constitui o casamento civil e o divórcio, e o Código Penal).

Conclusão

A Revolução Francesa foi um importante marco na História Moderna da nossa civilização. Significou o fim do sistema Absolutista e dos privilégios da nobreza. O povo ganhou mais autonomia e seus direitos sociais passaram a ser respeitados. A vida dos trabalhadores urbanos e rurais melhorou significativamente. Por outro lado, a burguesia conduziu o processo de forma a garantir seu domínio social. As bases de uma sociedade burguesa e capitalista foram estabelecidas durante a Revolução. A Revolução Francesa também influenciou, com seus ideais iluministas, a Independência dos países da América Espanhola e o movimento de Inconfidência Mineira no Brasil.


TEXTOS PARA O 3o ANO:


A CRISE DO 2o REINADO


Podemos compreender a crise do Império principalmente através do regime monárquico intempestivo em relação às modificações na economia e na sociedade que ocorreram em meados do século XIX.

As transformações econômicas e sociais vêem do crescimento da cafeicultura, porém essas transformações não eram significativas para o País, pois o sistema monárquico brasileiro estava bastante enervado.

As mudanças no setor político-administrativo só privilegiavam o crescimento econômico do Império, e os interesses dos grupos sociais predominantes. Sendo assim, os cafeicultores e a camada média passaram a apoiar os republicanos na derrubada do Império.

Questão social: O abolicionismo
A Inglaterra foi a grande responsável pela abolição da mão-de-obra escrava no Brasil. A revolução industrial necessitava de mercados consumidores. Os negros, sendo livres, iriam tornar-se assalariados e, conseqüentemente, consumidores.
Após a guerra do paraguai, em 1870, a sociedade mobilizou-se e assumiu uma posição abolicionista clara e direta. Vários segmentos sociais começaram a se posicionar em defesa da libertação dos escravos.
A oligarquia agrária produtora de café do Oeste paulista, principal responsável pela lavoura, tornou-se defensora do fim da escravidão. Esta classe social tomou consciência de que o trabalho escravo era inoperante; portanto deveria ser substituído pelo trabalho livre.
As pressões contra a escravidão eram defendidas por várias instituições antiescravistas (internacionais e nacionais) que se avolumaram entre os anos de 1870 e 1880. O Brasil era o único país americano livre que ainda utilizava escravos.

As principais leis abolicionistas foram:

Lei Bill Aberdeen (1845)

1. Proíbe o tráfico negreiro e aprisiona navios que transportavam escravos.

2. Julga os traficantes na Inglaterra.

Lei Eusébio de Queiroz (1850)
Extinção do tráfico negreiro. Os ingleses viviam sua industrialização e viam na abolição da escravidão as possibilidades de aumentar seu mercado consumidor.

Lei do Ventre Livre (1871)
Foi de autoria do visconde de Rio Branco. Declarava livres os filhos de escravos que nascessem a partir da promulgação da lei. Apesar de liberto, o menor ficaria até 8 anos de idade sob o controle dos senhores, os quais teriam a opção de receber do Estado a indenização de 600$000 ou de utilizar-se dos serviços do menor de idade até os 21 anos.

Lei do Sexagenário (1885)
Também chamada de "Saraiva-Cotegipe", declarava livres os escravos com mais de 65 anos.

Lei Áurea (1888)

Extinguiu a escravidão no Brasil.

Questão Religiosa (1872 – 1875)
Na monarquia brasileira a Igreja e o Estado estavam associados pelo padroado que instituía o catolicismo como a religião oficial do Brasil e os padres e bispos eram trabalhadores públicos, pagos pelo Estado; e pelo beneplácito, que determinava que os bispos escolhidos pelo papa só seriam efetivados no cargo mediante a aprovação de Dom Pedro II.
Logo a relação entre o Estado e a Igreja começou a se agravar. Em1864, ano em que a Europa sofria com os conflitos entre maçons e católicos, o papa decretou a proibição da relação entre o clero e a maçonaria, mas como o conflito só estava atingindo a Europa, o decreto do papa não refletiu muito no Brasil.
Porém, em 1872 tornou-se evidente a Questão Religiosa, quando os bispos D. Vital de Oliveira (Olinda) e D. Antônio de Macedo (Belém do Pará), declararam que todas as irmandades de suas dioceses que não excetuassem os seus integrantes maçons seriam interditadas.
No entanto, a maçonaria tinha grande importância social para o governo imperial, que interpôs a sua autoridade, e como conseqüência os bispos foram condenados a 4 anos de prisão com trabalho forçado. Em 1875, o primeiro-ministro Duque de Caxias entrou com um pedido de anistia para os bispos condenados, que foi concedido pelo Imperador.
A Questão Religiosa deixou o governo politicamente destruído, e com isso grande parte da população ficou a favor da dissociação do Estado e da Igreja, fortalecendo ainda mais os republicanos.

As questões militares (1884 – 1886)
Após a guerra do Paraguai, o Exército brasileiro se fortaleceu, pois até então o seu exercício era insignificante, se comparado a Guarda Nacional. A partir daí, o setor militar brasileiro se tornou mais organizado e moderno.
Contudo, politicamente, o Exército não tinha grandes prestígios, o que deixava os oficiais insatisfeitos. O clima tenso entre os militares e civis, conhecidos como “fardas” e “casacas”, respectivamente, aumentava cada vez mais. E assim, começaram a ocorrer alguns incidentes, expandindo as questões militares.
A primeira questão ocorreu quando o Coronel Sena Madureira declarou-se publicamente através da imprensa, contra a reforma do Montepio Militar, e considerando que atitudes como esta eram proibidas aos militares, este foi repreendido pelo Ministério da Guerra.

A segunda questão está relacionada à prisão de Sena Madureira, que recebeu com muita honra na Escola de Tiro do Campo Grande, o Cearense Francisco Nascimento, um jangadeiro que impedia o embarque de escravos de Fortaleza para o Sul, e veio para o Rio de Janeiro para participar de um comício a favor da abolição. Como Madureira prestigiou a chegada do jangadeiro, o governo imperial sentiu-se ofendido e ordenou a demissão do coronel da Escola de Tiro, bem como a sua prisão. Esse fato causou a revolta de outros militares, que ao fazerem seus manifestos também foram detidos.
A terceira questão partiu de uma inspeção de rotina feita pelo Coronel Cunha Matos em Piauí, onde foi descoberto o extravio de fardamentos, e negociatas com o salário dos militares. Após descobrir a corrupção, Cunha pediu o afastamento do oficial responsável, e foi acusado de ter agido sem dignidade. Para se defender, Cunha desobedeceu a lei e se manifestou publicamente, através da imprensa, por isso foi punido, ficando preso por 48 horas. Com isso, um novo conflito é iniciado. Cunha recebeu o apoio do marechal Deodoro da Fonseca, que não suspendeu a prisão dos militares que estavam sobre o seu domínio.
Diante de uma situação irreversível e temendo uma revolta militar, o governo imperial suspendeu as penas estabelecidas e libertou os militares presos. A participação dos militares nos combates políticos foi uma fase evidente da queda do Império




Retirado do blog:http://www.colegioweb.com.br/historia/a-queda-do-imperio-.html



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AS ORIGENS DO MAL



Por Edilson Adão**





Os frequentes atos extremistas que assolam o Oriente Médio remetem à pergunta: hoje palco de tamanha violência, por que Jerusalém foi há pouco mais de um século lugar de convivência respeitosa entre judeus, muçulmanos e cristãos? Devemos considerar que até então a cidade encontrava-se sob a tutela do império turco-otomano, cujo califa de outrora, o sultão Osman III, através de um edito de 1757, delimitou muito bem os direitos e competências de cada religião que entendia ser sua a sagrada Jerusalém. As maiores confusões ficavam por conta dos cristãos, particularmente durante a Páscoa, quando a boa convivência dava lugar a vergonhosos acirramentos entre gregos ortodoxos, católicos armênios, coptas egípcios, maronitas sírios e outras comunidades cristãs. Mas, no geral, a convivência era boa e pautada pela tolerância, salvo excessos eventuais. Certa vez, entrevistei um octogenário palestino que me disse ser um judeu o melhor amigo de seu pai. Vizin hos, era -comum caminharem juntos pelas ruas da Palestina; seu pai virava à esquerda e entrava na mesquita, o amigo à direita para a sinagoga. Finalizadas as orações, encontravam-se na saída e continuavam o passeio. Essa utópica cena para os dias de hoje foi fato um dia na Terra Santa.



Não obstante celeumas ideológicas, é quase impossível não atribuir ao imperialismo europeu (logo, ao capitalismo), o barril de pólvora em que se transformou o Oriente Médio. O desarranjo lógico do território forjou ali as mais es-drúxulas unidades sem o mínimo lastro histórico-geográfico que justificasse a existência de certos países, em particular às margens do Golfo Pérsico, mas também nas areias do deserto. Fronteiras mal formuladas construíram gradativamente o clima de tensão que hoje se abate na região. A tensão evoluiu para violência na segunda metade do século XX, cujas três últimas décadas assistiram ao surgimento de um novo fenômeno: o fundamentalismo.



INTOLERÂNCIA: FENÔMENO DO SÉCULO XX



Quem matou o Mahatma Gandhi? Quem matou Yitzhak Rabin? Quem matou Anwar Sadat? Cada um desses líderes foi morto pelo fundamentalismo intrínseco à sua própria religião.



Apesar de litígios religiosos serem antiquíssimos, é no século XX que o extremismo torna-se fenômeno comum. Temos notícias de atentados religiosos desde o fim do século XIX, quando a Irmandade Muçulmana lutava contra o domínio britânico no Egito. Mas o parâmetro contemporâneo para aquilo que se convencionou designar como “fundamentalismo” podemos encontrar na Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã converteu-se em uma teocracia xiita.



Contudo, é no cristianismo que residem os primórdios do fundamentalismo. Suas raízes estão ligadas ao protestantismo cristão norte-americano do século XIX, cuja leitura literal e dogmática da Bíblia difundia a crença de uma supremacia cristã e a não aceitação de outras verdades religiosas, fundamentos que tanto contribuíram para a formação da cultura Wasp (White, Anglo-Saxon and Protestant ou Branco, Anglo-Saxão e Protestante). Líderes norte-americanos passaram a se inspirar nesses preceitos para a orientação do modo de vida, num claro enfrentamento com a modernização da sociedade. Nessa linha, o homem deve pautar-se numa leitura ortodoxa da palavra de Deus, o Ser infalível que orienta todo o modus vivendi da sociedade. Para os fundamentalistas, qualquer interpretação da vida que não encontre uma justificativa bíblica deve ser refutada. A Bíblia não deve ser interpretada, como fazem os teólogos mais progressistas, mas simplesmente obedecida, p ois é a verdadeira palavra de Deus: basta segui-la. A História, a Geografia e, principalmente, a Biologia nada acrescentam ao conhecimento. O evolucionismo deve ser banido como teoria e ser substituído plenamente pelo criacionismo – esta, sim, uma teoria embasada na palavra divina. O fundamentalismo consiste nesse comportamento de obediência extrema a um credo religioso, que não aceita conviver com outra perspectiva ou forma de explicação da vida. Há uma única verdade: Deus.



Na perspectiva fanática, portanto, a crença do outro está equivocada. Acontece que, quando o outro pensa da mesma forma, aflora a intolerância e a coexistência torna-se impossível. Resultado: conflitos e mortes. A origem disso é cristã, mas, nos dias de hoje, é o fundamentalismo islâmico o mais atuante de todos e seus feitos, os mais impressionantes.



O fundamentalismo é um movimento reacionário, pois pretende um retorno- aos valores tradicionais que fundamentam sua crença, numa clara oposição ao secularismo e à modernidade. A emergente Índia, por exemplo, candidata à condição de potência econômica nos anos vindouros, tem no combate ao extremismo religioso interno seu maior desafio. O Partido do Congresso, laico, tenta, a duras penas, construir uma nação secular, mas o oposicionista Barhatya Janart Party (BJP), de orientação fundamentalista hindu e que já governou nos anos 1990, luta por uma Índia teocrática, caminhando no sentido contrário e investindo na supremacia bramanista perante uma minoria muçulmana de mais de 150 milhões de habitantes. A atmosfera indiana é de pura tensão.



Tendo como grande ícone a Revolução Islâmica, a opção fundamentalista não ficou restrita ao xiismo; inclusive, nos dias de hoje, é na vertente do sunismo que temos os principais grupos atuando. A falta de atenção, no entanto, pode levar muitos a incorrer no mais comum dos erros: a confusão entre islamismo e fundamentalismo, visto que o noticiário pouco contribui ao discernimento das diferenças, podendo levar a entender o extremismo religioso como circunscrito ao islamismo. Sobre o significado da palavra Islã, o xeque Jihad Hassan Hammadeh, vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, informa que “islã”, na língua árabe, deriva da palavra “salam”, que significa paz, portanto, a essência da religião islâmica é a paz, seu alicerce é a paz, por isso é que a definição de islam é: submissão total e voluntária a Deus Único, então quem é voluntário a Deus deve praticar o qu e Ele ordena, que é a justiça, a paz, o amor, a solidariedade etc. Quanto à violência, a religião islâmica proíbe qualquer ato de injustiça contra qualquer ser e inclui também a agressão contra o meio ambiente. Deus disse no Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos): “E quem tirar uma vida inocente é como se tivesse assassinado toda a Humanidade, e quem salvá-la é como se tivesse salvado toda a Humanidade”, portanto, o muçulmano é proibido de cometer qualquer ato de agressão injusta, dando-lhe, somente, o direito à legítima defesa, que é direito de qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo e em todas as religiões. Deus disse no Alcorão Sagrado: “E se punirem,- que punam da mesma forma como foram punidos,- e quem tiver paciência, é melhor para os pacientes”.



Alguns estudiosos do Islã afirmam ser equivocada a expressão “fundamentalismo” para designar os atos extremistas que marcaram o fim do século XX. Em sua concepção, o termo é totalmente infeliz, uma vez que se faz uma adaptação da realidade cristã à islâmica. Tal analogia é então descabida, pois as escolas de filiação religiosa são distintas. Enquanto no cristianismo a interpretação do fundamentalismo é visceralmente conservadora, antimodernista e arraigada aos valores tradicionais da Bíblia, no Islã, dá-se o contrário. Logo, o que vemos e classificamos hoje como fundamentalismo islâmico é exatamente o oposto daquilo que pregam os verdadeiros estudos dos fundamentos do Islã. Regimes como o iraniano ou o que era vigente até há pouco tempo no Afeganistão seguem o oposto daquilo que seriam os “fundamentos do Islã.”



Edilson Adão Cândido da Silva é mestre em Ciências pela USP, autor de Oriente Médio: A Gênese das Fronteiras (Editora Zapt) e professor de Geopolítica e Teoria das Relações Internacionais no Ensino Superior.



RETIRADO DO SITE DA REVISTA "CARTA NA ESCOLA" (www.cartanaescola.com.br ou http://www.cartacapital.com.br/carta-na-escola/as-origens-do-mal)





























Coronelismo

Por Miriam Ilza Santana



O surgimento do coronelismo remonta aos tempos de colonização do território brasileiro. Com a segmentação do Brasil em capitanias hereditárias e o surgimento do donatário, a Coroa punha em voga as bases do coronelismo, inconscientemente. O donatário e logo após os donos das sesmarias – possuidores de grandes fazendas agrárias – passaram a exercer poder absoluto sobre seus bens, transformando-as em propriedades agroeconômicas inabaláveis. Analisando a situação, percebe-se que a Independência em nada alterou a condição destes coronéis, que se sentiam donos de fato destas grandes propriedades rurais.



O título de coronel sancionava definitivamente o poder dos oligarcas – eles deixavam de ser apenas uma autoridade de fato para serem, também, de direito, com aprovação total do governo central. Com tantos poderes nas mãos os oligarcas resolveram financiar campanhas políticas de seus afilhados, conquistando a faculdade de acaudilhar a Guarda Nacional e obtendo autoridade para obrigar o povo e os escravos a manter a ordem e a obediência. Com o advento da República, a Guarda Nacional é extinta, contudo os coronéis sustentam o domínio sobre suas terras e os limites de sua influência. O regime representativo é implantado e o direito de voto ampliado, os partidos políticos e as eleições se fortalecem.



O domínio dos coronéis consistia em controlar os seus eleitores, todos eles tinham o seu “curral” eleitoral, ou seja, os eleitores eram obrigados a votar sempre nos candidatos impostos por eles – este voto era conhecido como “voto de cabresto”. Cabia a seus jagunços controlarem os votos através da coerção física, caso os eleitores fossem contra a aspiração dos coronéis, eram punidos. O prestígio de um coronel era proporcional ao número de votos que ele conseguia arrebanhar junto aos seus, esta era a única maneira de alcançar o que ele desejava junto aos governantes estaduais ou federais e de resguardar seus domínios.



DECLÍNIO DO CORONELISMO

O declínio do coronelismo deu-se através de simultâneas transformações no quadro geral da sociedade. A população rural cresce, as pequenas cidades incham, estradas são abertas e os meios de comunicação em massa, principalmente a televisão, chegam mais rápido às partes mais longínquas do território nacional – o eleitor se torna menos submisso e passa a exigir mais das autoridades na hora de dar o seu voto. O êxodo rural é fator determinante para o declínio do coronelismo, e nas cidades surgem novos líderes; o contato com o povo é facilitado e a televisão, com seu poder de convencimento e repasse de informações em rede nacional, torna-se uma grande aliada.



A história evolui ganhando cara nova, a troca de favores só muda seu jeito de ser, ou seja, a vaga na escola passa a ser conseguida por intermédio de algum vereador conhecido, a rede de água e esgoto ou a instalação de energia elétrica agora é alçada do deputado federal. As privatizações destacam-se no novo cenário político, os parlamentares contratam cabos eleitorais para ocuparem cargos importantes em organismos públicos e atuarem nas comunidades rurais – os “currais comunitários”, cultivados pelos “coronéis modernos”, que se escondem atrás de novas funções – de deputados a senadores, de vereadores a prefeitos. No nordeste, o coronelismo ainda impera, a troca de favores predomina e a distribuição de cargos aos protegidos é uma constante, sem falar nas fraudes freqüentes, nas quais os mortos votam, assinaturas são falsificadas, entre outras falcatruas.

Bibliografia

http://vestibular.uol.com.br/atualidades/ult1685u302.jhtm

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/coronelismo.htm

http://www.culturabrasil.org/republicavelha.htm

http://www.expo500anos.com.br/painel_16.html

http://votolivre.multiply.com/photos/album/3



Retirado do site: http://www.infoescola.com/historia/coronelismo/





O Coronelismo

Por Rainer Souza



O coronelismo foi uma experiência típica dos primeiros anos da república brasileira. De fato, essa experiência faz parte de um processo de longa duração que envolve aspectos culturais, econômicos, políticos e sociais do Brasil. A construção de uma sociedade vinculada com bases na produção agrícola latifundiária, desde os tempos da colônia, poderia contar como um dos fatos históricos responsáveis pelo aparecimento do chamado “coronel”.

No período regencial, a incidência de levantes e revoltas contra a nova ordem política instituída concedeu uma ampliação de poderes nas mãos dos proprietários de terra. A criação da Guarda Nacional buscou reformular os quadros militares do país através da exclusão de soldados e oficiais que não fossem fiéis ao império. Os grandes proprietários recebiam a patente de coronel para assim recrutarem pessoas que fossem alinhadas ao interesse do governo e das elites.

Com o fim da República da Espada, as oligarquias agro-exportadoras do Brasil ganharam mais espaço nas instituições políticas da nação. Dessa maneira, o jogo de interesses envolvendo os grandes proprietários e a manutenção da ordem social ganhava maior relevância. Os pilares da exclusão política e o controle dos grandes espaços de representação política sustentavam-se na ação dos coronéis.

Na esfera local, os coronéis utilizavam das forças policias para a manutenção da ordem. Além disso, essas mesmas milícias atendiam aos seus interesses particulares. Em uma sociedade em que o espaço rural era o grande palco das decisões políticas, o controle das polícias fazia do coronel uma autoridade quase inquestionável. Durantes as eleições, os favores e ameaças tornavam-se instrumentos de retaliação da democracia no país.

Qualquer pessoa que se negasse a votar no candidato indicado pelo coronel era vítima de violência física ou perseguição pessoal. Essa medida garantia que os mesmos grupos políticos se consolidassem no poder. Com isso, os processos eleitorais no início da era republicana eram sinônimos de corrupção e conflito. O controle do processo eleitoral por meio de tais práticas ficou conhecido como “voto de cabresto”.

Essa falta de autonomia política integrava uns processos onde deputados, governadores e presidentes se perpetuavam em seus cargos. Os hábitos políticos dessa época como a chamada “política dos governadores” e a política do “café-com-leite” só poderiam ser possíveis por meio da ação coronelista. Mesmo agindo de forma hegemônica na República Oligárquica, o coronelismo tornou-se um traço da cultura política que perdeu espaço com a modernização dos espaços urbanos e a ascensão de novos grupos sociais, na década de 1920 e 1930.

Apesar do desaparecimento dos coronéis, podemos constatar que algumas de suas práticas se fazem presentes na cultura política do nosso país. A troca de favores entre chefes de partido e a compra de votos são dois claros exemplos de como o poder econômico e político ainda impedem a consolidação de princípios morais definidos nos processos eleitorais e na ação dos nossos representantes políticos.



Por Rainer Sousa, Graduado em História, Equipe Brasil Escola



Retirado do site: http://www.brasilescola.com/historiab/coronelismo.htm











“O Sufismo frente ao Fundamentalismo



"Os santos são como a terra, que não responde às pedras que lhe são lançadas, mas apenas nos oferece as suas flores." . Provérbio Sufi





Para os contemplativos e místicos, o sufismo é o coração do islã. Por isso mesmo, não é facilmente perceptível ao olhar superficial e apressado. Por um lado, o sufismo se vale de uma abordagem mais profunda e universal da religião do que a visão convencional; por outro, pode às vezes entrar em choque com esta última, justamente por se identificar mais ao espírito do que à letra. Por essa razão, o sufismo tem sido o principal pilar de resistência ao extremismo militante no mundo muçulmano. Essa "batalha" pelos corações e mentes do islã poderia ser representada por títulos como "Profundidade versus superficialidade", ou "Interioridade versus exterioridade", com o primeiro desses termos simbolizando o sufismo, e o segundo, o extremismo militante.



(...)



O sufismo possui uma base metafísica comum com a religião geral, comportando, contudo, interpretações mais profundas desse legado comum, bem como certas práticas diferenciadas. Maomé é simultaneamente o fundador da religião comum e do sufismo; ele é de fato o iniciador de todas as silsilás ("árvores genealógicas") das confrarias místicas, ou turuq.



O termo "sufi" possui uma etimologia algo misteriosa e controvertida, mas a visão mais razoável e aceita diz que ele deriva de “suf”, lã em árabe. Isso porque os primeiros místicos costumavam usar roupas desse tecido; na verdade, a associação da espiritualidade com a lã vem desde o Corão, que retrata Moisés subindo ao Sinai vestindo um traje de lã. Há também uma associação com o termo safa, que significa "pureza", mas não é sem polêmica que isso é aceito. Alguns autores apontam ainda para uma associação com o termo grego sophia, sabedoria.



Sem dúvida, o sufismo constitui o principal adversário da visão militante no mundo do islã. O fundamentalismo (...) confronta a mística a partir do interior mesmo da religião e em nome do passado (de determinada concepção de passado- está claro); desconfia da mística; tem visão superficial, literalista e propriamente fundamentalista - no sentido de um retorno aos "fundamentos" do islã, entendidos, certamente, de maneira estreita.



[O fundamentalismo] tem sido particularmente agressivo para com o sufismo; destruiu seus centros, santuários e focos de peregrinação. Chegou até mesmo a proibir a utilização do rosário, sob o argumento de que o Profeta não o usou para fazer suas orações.”



Texto retirado do livro de Mateus Soares de Azevedo: “Homens de um livro só, o fundamentalismo no islã, no cristianismo e no pensamento moderno”, RJ, edt Nova Era, 2008.

(http://sabedoriaperene.blogspot.com/2009/02/homens-de-um-livro-so.html)



PS: Os grifos não constam no livro, e são de nossa responsabilidade.







Quando o homem se confunde com Deus

Caminho místico e esotérico do Islã, o sufismo tem por objetivo purificar o coração dos homens a fim de permitir que aquele que o pratica venha a atingir a união total com Deus .

Por Débora F. Lerrer



O sufismo é o caminho místico do Islã que, como muitas outras religiões, possui um aspecto exterior e outro interior. O aspecto exterior é aquele da Lei revelada, a Sharia, que se ocupa da observância dos ritos e dos atos de devoção. O aspecto interior existe através do sufismo, designado na doutrina islâmica pelo termo árabe tasawwuf, cujo objetivo é purificar o coração a fim de permitir que aquele que o pratica venha a se confundir com Deus.

O sufismo se apresenta como uma seqüência de experiências pessoais que compõem uma busca espiritual interior, visando permitir que o homem realize a unidade com Deus e reencontre sua natureza de "homem perfeito", recordando sua origem divina e espiritual.

Conta-se que quando Deus criou o homem, ele deixou uma parte dele em seu coração - e é justamente através do coração que o homem pode acessar Deus e sua essência divina.

"Alá soprou na alma humana o seu próprio espírito, seu coração, que é o espírito divino, dando vida a esse corpo e conferindo um lugar privilegiado na criação. Só que a alma humana esqueceu da sua origem", diz o sheik brasileiro Muhammad Ragip, que representa no Brasil a ordem sufi Halveti AI-Jerrahi.

"Nós entendemos a religião como um método de despertar em nossos corações o amor a Deus. Compreendemos que a grande carência humana, esse vazio que permeia todo ser humano que sai em busca de um sentido para sua vida, é fruto da desconexão com essa origem divina", diz Ragip.

Para recordar essa origem divina, os sufis praticam o zikr, termo que significa, ao mesmo tempo, "recordação", "menção", "lembrança", "evocação", "rememoração". O zikr se baseia na repetição de atributos e nomes divinos de Alá, e é também o nome dado às cerimônias sufi, repletas de orações, músicas e, dependendo da ordem sufi, a famosa dança cósmica dos dervixes rodopiadores. A prática do zikr pode ser individual e deve prosseguir até que o nome divino se aposse do coração daquele que o invoca.

"Um sufi é aquele em que cada palavra e cada ato que pratica corresponde a um estado interior. Ele é aquele que conseguiu unificar os dois mundos. Isso é o que diz uma citação famosa de um mestre sufi"., conta Sergio Rizek, editor e tradutor da Attar Editorial, que tem publicado autores clássicos sufis - entre eles Rumi e Attar - e que agora está lançando Gulstan, de Saadi de Shiraz.

Segundo Rizek, esse objetivo é a realização do grande jihad islâmico. "A palavra jihad passou por um alto grau de corrupção. Ela não quer dizer guerra santa, e sim a unificação entre os dois mundos: a interioridade e a intenção declarada com atos e palavras. O processo de unificação entre oração, palavra e atos é que é o grande jihad", explica o editor.

Retirado: http://www.clicnews.com.br/misticismo/view.htm?id=35748











O SISTEMA DE CASTAS DA ÍNDIA: DUAS VISÕES

TEXTO 1

Doutrina Hindu de casta

Por Luiz Pontual (http://www.reneguenon.net/oinstitutoindex.html)



Um dos conceitos menos compreendidos no Ocidente moderno refere-se à doutrina hindu de castas. Tomando suas próprias referências socioeconômicas e transpondo-as mecânica e tendenciosamente, os ocidentais criticam violentamente o que julgam ser "o injusto sistema de castas", como se fosse uma discriminação entre classes sociais, tal como existe, por exemplo, nos EUA e na Europa.



Os critérios que classificam o indivíduo dentro de uma determinada casta, é bom reforçar, não são de ordem socioeconômica, mas, sim, estabelece-se uma hierarquia de importância, na qual os valores relativos à espiritualidade ocupam os lugares mais elevados. Desse modo, fazem parte das castas superiores aqueles que se identificam aos valores espirituais e participam das castas inferiores aqueles que se identificam aos valores materiais. Na verdade, dentro do hinduísmo, a casta significa para o indivíduo a sua própria natureza, isto é, significa viver conforme a sua mais profunda vocação. Na Índia tradicional (1) , a educação busca proporcionar os melhores meios para que as qualidades próprias de cada um possam ser desenvolvidas o mais completamente possível, desde tenra idade.



O termo hindu para este conceito é varna, que significa qualidade ou natureza própria de um ser. Ninguém duvida de que em uma mesma família há diferenças bem caracterizadas entre os filhos e que estas se manifestam muito cedo. Um deles demonstra, por exemplo, facilidade para canto e instrumentos musicais. Outro prefere afazeres mecânicos ou manuais. Outro ainda, por sua natureza introspectiva, inclina-se pela literatura. Essas diferenciações estão determinadas essencialmente e participam da constituição mesma de cada ser, constituindo o que se poderia denominar naturalmente "vocação" ou "chamamento".



A divisão das castas estabelece quatro níveis, os quais são, pela hierarquia, denominados: Brâmane, Kchatriya, Vaishya e Shudra. São Brâmanes os indivíduos cuja vocação os conduz irresistivelmente à vida espiritual; é sua atribuição a preservação e transmissão do conhecimento metafísico e da tradição, mediante o sacerdócio, dentro de um governo teocrático. Sua cor simbólica é o branco, que remete à pureza e à luz solar, em seu aspecto espiritual. Sua determinação é vertical, ascendente. A característica mental, concentrada. Sua realização, transcendente. O metal simbólico é o ouro, pois suas qualidades são permanentes: pureza e brilho que não se corrompem com o tempo. Identifica-se também à Idade de Ouro, à Essência, à. Luz Sapiente e ao sol, como símbolo do Princípio divino.



São Kchatriyas, aqueles que, por suas qualidades próprias estão capacitados às funções relacionadas ao governo dos homens e aos instrumentos de defesa deste governo. Os reis e os militares encontram-se nesta casta. Sua cor simbólica é o vermelho, relacionado ao calor e à expansão. A bandeira japonesa é uma representação Kchatriya por excelência, assim como os senhores feudais e os samurais. A determinação é expansiva, horizontal. Esta casta está subordinada naturalmente aos Brâmanes e é por este motivo que, por exemplo, na Idade Média, os reis eram sagrados pelo papa. A função real, afirma o taoísmo, é unir o céu e a terra, estabelecendo um governo de acordo com princípios espirituais. O Kchatriya reflete e ordena, tanto no sentido de organizar quanto no sentido de comandar. Identifica-se à Idade de Prata e às qualidades da lua, na medida em que esta reflete a luz divina do sol. Suas atividades dentro na ordem social assemelham-se ao dos monarcas e aristocratas.



São Vaishyas os que naturalmente se identificam com a função comercial e industrial (no sentido amplo do termo). São os provedores materiais. Os que trabalham nos campos plantando ou criando animais. Os que constroem casas e demais edificações particulares ou públicas. Todo tipo de artesanato e manufatura. E aqueles que comerciam alimentos, utensílios, moradas, enfim, tudo o que constitui o suporte material da vida humana; garantem sustentação material para que cada um possa cumprir sua função própria. Sua cor simbólica é o amarelo escuro ou marrom. Identifica-se à Idade de Bronze, que é seu metal simbólico (constituído de cobre, vermelho e estanho, cinzento). Liga-se ao mundo material, simbolizado pela terra.



São Shudras os que, por sua natureza, dedicam-se às mais variadas funções de mão-de-obra, semelhante aos operários. São os que aplicam principalmente a força física em suas ocupações profissionais. Identifica-se à Idade de Ferro cuja cor simbólica é o cinza escuro. A sua característica mental é marcada pelo apego à aparência, à emoção e à superficialidade. Envolvem-se com o trabalho no reino mais quantitativo e mecânico. Guarda semelhança , no mundo moderno, com os que se identificam ao socialismo e comunismo.



Deve-se assinalar a existência de uma subcasta, os Shandala, cuja característica é a ausência de qualquer qualificação. Cumpre a função de agentes da dissolução, desagregação, destruição. São forças cegas, corruptas e corruptoras, dissolutas, agindo em toda a parte e em vários níveis.



É importante registrar que, ainda que tenhamos estabelecido algumas comparações com as divisões sociais modernas, baseadas no poder financeiro, isso é feito por haver grande dificuldade em encontrar parâmetros entre a estrutura da sociedade moderna e a doutrina hindu de castas. No Oriente tradicional, um Shudra pode ser rico assim como um Brâmane pode ser pobre, materialmente falando, o que não modifica em nada o lugar que um e outro ocupa na sociedade e, conseqüentemente, a função que exerce.



É necessário destacar que a doutrina hindu de castas guarda perfeita analogia com todas as doutrinas autenticamente tradicionais. Trata-se da aplicação, no âmbito humano e social, dos princípios que regem a cosmologia. A divisão quaternária está presente na natureza: as Idades da humanidade, as estações do ano e as fases da lua, por exemplo. Até mesmo pela observação direta, podemos constatar que é perfeitamente natural que existam diferenças qualitativas entre os homens e que estas se ordenem hierarquicamente.



É admirável que a quimera igualitarista, exaltada pelos democratas e socialistas, tenha tantos defensores em nossos tempos atribulados e confusos: precisamente nos países ditos “socialistas”, como Cuba, a injustiça e a miséria – no sentido material e espiritual – atingem o máximo grau possível e imaginável, como demonstração trágica do ponto a que podem chegar tais fantasias (2).



Texto retirado do livro de Luiz Pontual: “ Você ainda acredita em democracia ?”, SP, edt IRGET, 2004/05



* * *



Notas:



1. Não confundir com a Índia moderna, ocidentalizada e, em grande parte, destruída pela odiosa e corrosiva ocupação inglesa ao longo de décadas; trata-se aqui dos redutos da tradição que, apesar de tudo, ainda subsistem na Índia atual.



2. O exercício na vida das próprias qualidades é a mais exata definição da palavra competência. Os tempos modernos, que negam Deus e toda hierarquia natural, são um festival interminável de incompetência. Raríssimos são aqueles que exercem hoje uma profissão que corresponda plenamente à sua natureza (qualidade) própria. Outro grande destruidor de vocações é o ensino público igualitário e obrigatório, um verdadeiro rolo compressor que aniquila todas as possíveis qualidades, instituindo a mediocridade hegemônica, cujos resultados desastrosos temos visto em países “ricos” como os EUA, ou seja, um tipo de Mickeylândia, onde o “analfabetismo funcional” atinge dezenas de milhões, incluindo o atual Presidente da República, George W. Bush.





TEXTO 2

Os intocáveis

Por Renato Rovai (www.revistaforum.com.br), 19 de Novembro de 2008

Eles não andam carimbados como animais em fila para o matadouro e também não há um selo colado na testa que diga se são brahmanes, kshatriyas, vaishyas, sudras ou, pior ainda, dalits e parias, os intocáveis. Para a cultura ocidental, esse é um dos aspectos da sociedade hindu que mais intriga. O sistema de castas.



Não há exatamente um dia consagrado como o primeiro da vigência dessa estúpida forma de classificação de seres humanos, mas alguns livros apontam que começou há 4,5 mil anos, com a invasão dos arianos – mistura de europeus com indianos e que por isso eram mais claros. E também mais robustos, selvagens e rudes. Imagina-se que eram pastores e teriam vindo das estepes do sul da Rússia. Em pouco tempo, dominaram boa parte do território que hoje forma a Índia, o Paquistão e Bangladesh. Na verdade, a antiga Índia, que foi dividida após a independência da Inglaterra por questões religiosas e interesses geopolíticos dos antigos colonizadores.



Em sânscrito, casta é varna, que significa cor. Ou seja, no princípio (e de algum jeito até hoje), as diferentes classificações sociais guardam relação com a cor da pele. Os arianos, mais claros, eram os superiores. Até aí, nada muito diferente do que vivemos no Brasil.



Na lógica do sistema de castas existem quatro grandes grupos. O primeiro, os brahmanes. Eles se encarregam da educação, tanto religiosa como de outros saberes. É a casta superior, que detém o conhecimento. Depois vêm os kshatriyas. São funcionários públicos, administradores e defensores do povo. A terceira casta é a do vaishyas, os que trabalham na indústria, no comércio e na prestação de serviços. Por fim, o sudras, que existem para servir às outras castas. São os faxineiros e servidores em geral.



Há ainda uma quinta classificação, que é “extracasta”, os dalits, para nós ocidentais, os intocáveis. Aqueles que os membros de outras castas evitam qualquer contato. Em outros tempos tinham de carregar algum objeto sonoro para fazer notar sua presença. Para que pessoas de castas superiores pudessem se esconder, já que até a sombra de um dalit ou mesmo de um sudra era algo contaminável.



Eles trabalham com todo tipo de dejeto, principalmente lixo. Vivem em cantos isolados, em meio ao que há de mais degradante do ponto de vista da miséria. Cerca de 62% de sua população é analfabeta, enquanto nas demais castas a cifra não ultrapassa os 48%. Metade das crianças dalits abandona a escola no nível primário e somente 0,6% dos professores indianos possuem esta origem. Mais de 45% dos dalits trabalham na agricultura, mas nem 15% destes possuem terra. Menos de 31% deles têm eletricidade em casa e mais de 50% vivem abaixo da linha de pobreza. Sem falar, por exemplo, que os casos de estupro entre as mulheres dalits são freqüentes que em apenas dois anos (de 1995 a 1997), aconteceram mais de 90 mil crimes contra membros dessa comunidade.



Por que aceitam essa condição sem grandes revoltas? Porque, na verdade, pagam o que fizeram na outra encarnação. Eles nasceram numa casta inferior por predestinação. Ou seja, esse é o kharma que têm de cumprir para atingirem algo melhor numa nova vida. A justificativa para a imobilidade social na Índia também se explica pelos textos sagrados. Manu, um famoso pensador hindu do século I, foi o primeiro a justificar essa situação:



“Para proteger esse universo, o ser resplandecente determinou deveres e ocupações diferentes para aqueles que nasceram de sua boca, braços, músculos e pés. Aos brahmanes destinou a vocação de ensinar e de ler o Veda (texto sagrado), oferecer sacrifícios para seu próprio benefício e dos outros. Aos kshatriyas ordenou proteger as pessoas, fazer doações, oferecer sacrifícios, estudar o Veda e se abster dos prazeres sexuais. Aos vaishya encomendou o cuidado do arrecadado, fazer doações, oferecer sacrifícios, estudar o Veda, fazer negócios, emprestar dinheiro e cultivar a terra. O senhor prescreveu somente uma ocupação aos sudras, a de servir mansamente às outras castas.”



A história de que a sociedade indiana é muito complexa e de que existem milhares de castas e subcastas é meia-verdade. De fato, o que vale é a existência dessas quatro grandes castas e dos fora-delas, os dalits. As outras são, na verdade, subcastas, criadas para que dentro da própria casta haja diferenciação. Ou então invencionices do tipo “castas dos limpadores de ouvidos” ou dos “trabalhadores de informática”.



Para se ter uma idéia, entre os brahmanes, os sacerdotes, aqueles que ministravam cultos em templos onde só podiam entrar os seus, eram de uma subcasta superior aos outros brahmanes que trabalhavam em contato com os sudras. E assim por diante, até chegar aos intocáveis, que trabalham com a podridão e cujos filhos estariam condenados a seguir o mesmo caminho.



Ghandi foi um dos homens que mais se indignou contra esse esquema. Hoje, ele ainda perdura, mas não é algo determinado pelo do Estado. Ao mesmo tempo é útil.

O sistema de castas deve ser derrotado pela lógica do capitalismo, que precisa alimentar o sonho de que todos podem galgar o paraíso ainda em vida. E isso de algum jeito já está começando. Quando um deles deixa seu pequeno vilarejo (existem 575 mil na Índia, onde vivem 75% da população) e ruma para a cidade grande, não é mais reconhecido como de uma ou outra casta. Torna-se mais um. O que pode até significar um momento de libertação. Mas o que não garante que se torne o caminho para uma vida melhor. Até porque, o neoliberalismo só tem piorado a vida daqueles que vivem no porão da sociedade indiana.













Caro aluno (a), abaixo deixo reproduzida esta belíssima lenda Hindu, na esperança de que ela seja lida e meditada no profundo silêncio de sua Alma!



“Conta uma velha lenda hindu que outrora todos os homens eram deuses, mas abusaram de tal modo da sua natureza divina que Brama, o Senhor dos deuses, decidiu retirar-lhes esse poder divino e escondê-lo em lugar onde lhes fosse impossível encontrá-lo. O problema, contudo, era encontrar esse esconderijo.

Brama convocou, pois, todos os deuses menores a fim de resolver este problema, e a sugestão que eles lhe deram foi enterrar a divindade do homem bem no fundo da terra. Mas Brama respondeu-lhes que isso não seria suficiente pois o homem escavaria a terra e acabaria por reencontrar a sua natureza divina.

Então os deuses sugeriram que se atirasse para o fundo do mar a natureza divina do homem. E de novo Brama lhes respondeu que, mais tarde ou mais cedo, o homem exploraria as profundezas do mar e a recuperaria.

Os deuses menores já não sabiam que outros lugares poderiam existir, quer na terra quer no mar, onde o homem não conseguisse chegar um dia.

Então Brama disse: “Vamos fazer o seguinte com a natureza divina do homem: vamos escondê-la bem no fundo de si mesmo, pois será esse o único lugar onde o homem nunca a irá procurar.”

E desde esse dia, segundo conta a lenda, o homem tem percorrido e explorado o mundo, subido às montanhas mais altas e descido às grandes profundezas da terra e do mar, sempre à procura do que está dentro de si próprio”.









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Gangues racistas e neonazistas saem do porão e usam a violência para divulgar suas idéias

(Fonte: Revista Isto é, 07/10/1992)





CABEÇAS OCAS

Por MALU OLIVEIRA



Na noite de quarta feira, 23 de setembro, uma briga entre gangues rivais interrompeu o show da banda americana Ramones no Canecão, no Rio de Janeiro. Sete pessoas ficaram feridas. Na madrugada de quinta-feira, 24, dois tiros foram disparados contra os muros da Rádio Atual, em São Paulo, e em seguida pichados com slogans contra nordestinos. No sábado, 26, túmulos do Cemitério do Centro Israelita, em Porto Alegre, amanheceram pintados com suásticas e frases pregando a morte dos judeus. Aparentemente isolados, os três episódios, na verdade, exibem a face comum de quase uma dezena de grupos de jovens que cresce no Sul do País: a violência como forma de auto-afirmação ou de divulgação de idéias conservadoras e racistas. Ao contrário dos milhares de estudantes que foram às ruas rios últimos meses defender a democracia e a ética na política, essas gangues, cuja característica mais visível é o cabelo cortado no estilo militar o que lhes deu a denominação "os carecas" , preferem usar seus músculos avantajados para caminhar na contramão da história e ressuscitar ideologias ultrapassadas como o Integralismo e o Nazismo.



Carecas do Rio de Janeiro, Carecas do Subúrbio, Carecas do ABC, Skinheads ou White Power. Nacionalistas ou separatistas, integralistas; ou neonazistas. O nome ou a ideologia pouco importa. O rosto quase sempre escondido por capuzes, corpo treinado em lutas marciais e eterna disposição para brigar são a marca registrada dessas gangues que vivem na periferia das grandes cidades e agem escondidas na certeza de que estão perturbando a ordem e infringindo leis. "Eles se consideram marginalizados pelas instituições e por isso não as respeitam", afirma a antropóloga carioca Márcia Regina da Costa, 38 anos, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) e autora da tese de doutorado Os Carecas do Subúrbio caminhos de um nacionalismo moderno.



Anônimos até o mês passado, os Carecas do Subúrbio e os Skinheads ou White Power agem há mais de três anos, mas praticamente só eram conhecidos dos proprietários e freqüentadores de casas noturnas, acostumados com as arruaças que eles promovem nos finais de semana. No dia 17 de setembro os dois grupos tiveram, porém, seus 30 minutos de glória. O programa Documento especial, exibido pelo SBT, colocou no ar representantes do White Power, o mais radical, em uma reportagem sobre o crescimento dos racistas e segregacionistas no Brasil. Macbaker, o apelido de um dos mais raivosos Skinheads, aproveitou, então, as câmeras da televisão para despejar seu ódio contra negros, judeus e nordestinos e defender a separação do Sul e Sudeste do resto do País. "Nordestinos são mestiços, raça inferior. Nós queremos viver sem estar esbarrando nesse tipo de gente", afirmou.







Provavelmente embalados com a súbita publicidade, os Skinheads passaram das palavras à ação. Uma semana depois do programa na tevê, atacaram a Rádio Atual, direcionada ao público nordestino estimado em mais de quatro milhões de migrantes só em São Paulo e que funciona junto ao Centro de Tradições Nordestinas um local de lazer que reúne centenas de pessoas nos finais de semana. Na madrugada de quinta-feira, 24, dois tiros disparados contra os muros da rádio interromperam um programa de forrós. No dia seguinte, os muros amanheceram pichados com suásticas; e a inscrição "Morte aos nordestinos". "Eu já havia recebido intimidações pelo telefone, mas com esse atentado eles passaram dos limites", diz o paulista José Masci de Abreu, 47 anos, proprietário da rádio e presidente do centro de tradições.



Alertada pela pichação na rádio e pelo programado SBT, a Secretaria de Segurança de São Paulo mandou abrir dois inquéritos policiais. A briga no Rio de Janeiro e as inscrições contra os judeus no cemitério de Porto Alegre também levaram a Polícia Federal a iniciar investigações sobre a atuação de grupos neonazistas no País.



Em São Paulo, o delegado Marco Antônio Veronesi, superintendente da PF, espera concluir em 20 dias a investigação preliminar iniciada na quarta feira, 30,"O racismo é crime hediondo e se identificarmos os integrantes dessas gangues eles vão responder a um inquérito , avisa Veronesi. "Ainda não há motivo para pânico, mas estamos preocupados porque esses crimes começam atacando uma minoria e acabam atingindo os alicerces de uma sociedade", diz o rabino Henry Sobel, presidente da Congregação Israelita Paulista.



O inquérito policial e a repercussão que as ações tiveram às vésperas do Ano Novo judaico, comemorado no domingo, 27, levaram os Skinheads a saírem de circulação. Reunidos no final de semana, os integrantes do White Power concluíram que Macbaker, Puga e Alemão, que assumiram em entrevistas aos jornais a autoria do atentado contra a rádio, se expuseram demais e que precisavam sumir da cidade por alguns dias. Embora com medo da polícia e da reação inicial da sociedade, eles prometem continuar a agir. "Isso foi apenas o começo. A violência é a forma de coação que temos para fazer valer nossas idéias", diz S.M.C., de 25 anos, um dos expoentes do grupo neonazista.



Casado, pai de dois filhos, S.M.C. trabalha como serralheiro em uma cidade da Grande São Paulo e cursa o colegial. Esconde o rosto atrás de um capuz, não diz o nome e tampouco o endereço com medo de ser identificado pela polícia. Anda armado quando sai para alguma pichação ou para brigar contra seus inimigos preferidos: Carecas do Subúrbio e punks.



"Eles são uns débeis mentais porque aceitam judeus, negros e nordestinos entre eles", afirma. O ódio de S.M.C. contra judeus, negros e nordestinos surgiu há pouco mais de três anos, quando abandonou a gangue, Carecas do Subúrbio, na qual estava desde 1984. Passou a ler a biografia de Adolf Hitler e os livros sobre o nazismo. Entrou em contato com os defensores do Fuhrer no Brasil, como o carioca Armando Zanine Júnior, 62 anos, presidente do Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro, e com o gaúcho Sigfried Ellwanger Castan, autor de livros que desmentem o holocausto.



"Eu já era um skin, mas estava no lugar errado, cercado de gente de raça inferior e de marginais", conta ele. "Hoje, só temos em comum o combate às drogas e aos homossexuais."



A gangue que hoje se intitula Carecas do Subúrbio e da qual saiu boa pane dos Skinheads surgiu em São Paulo como um grupo punk em meados da década de 70, na esteira do movimento que se formava na Inglaterra. Embora fossem fãs da banda inglesa Sex Pistols, que pregava a destruição da suástica e defendia idéias anarquistas, alguns dos seus integrantes adotavam o pensamento conservador dos Carecas ingleses, que haviam surgido em meados dos anos 60 e que se caracterizavam por combater os imigrantes - usavam a cabeça raspada para evitar que os cabelos fossem puxados pela polícia.



O movimento chegou ao Brasil meio descaracterizado, unindo várias tendências, mas todas ligadas pela marginalidade social e pela revolta contra sua condição de vida", conta a antropóloga Márcia Regina. No início da década de 80, as diferenças ideológicas e os métodos de ação acabaram levando a divisão desses grupos no Brasil. De um lado ficaram os punks, que incluíram desde anarquistas até nacionalistas e adotavam comportamentos menos conservadores em relação às drogas e aos costumes . De outro os Carecas do Subúrbio, nacionalistas ferrenhos, combatentes dos drogados e homossexuais.



Com quase 500 integrantes em São Paulo, o grupo experimentou um novo racha no final da década de 80. Surgiram, então, duas outras facções, que mantinham como característica comum o ódio a drogados e homossexuais, oculto ao corpo e a violência como forma de convencimento.



Os que defendem o integralismo de Plínio Salgado, todos homens e de classe baixa, formaram os Carecas do ABC, e passaram a ser temidos nas ruas de Santo André. os neonazistas criaram o Skinheads, que hoje também se in titula White Power e é formado por rapazes e moças de classe média, com idades entre 17 e 30 anos. A maioria concentrada na região metropolitana de São Paulo, tem ramificações em todo o Sul do Brasil e se correspondem com os grupos racistas estrangeiros. "Recebemos publicações e víde os dos Skinheads europeus e da Klu Klux Klan (Seita racista americana)", afirma o belicoso S.M.C., do White Power.



Dos Carecas do Subúrbio restaram em ao Paulo pouco mais de 50 pessoas, quase todas filhos de operários que moram na zona este da capital e que mantêm correspondência com grupos de Carecas de todo o Brasil. O mais forte deles está no Rio de Janeiro: os cerca de 50 jovens acusados de promover a baderna no Canecão e que começaram atuando no Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro, de Armando Zanine Júnior, mas que hoje garantem ter abandonado o culto a Hitler. "Não somos simpatizantes do nazismo e não fazemos segregação racial", afirma Marcelo Rocha Peixoto, 25 anos, um dos mais antigos integrantes dos Carecas do Rio de Janeiro.



"O barbarismo dos Skinheads acabou prejudicando grupos corno o nosso, que têm negros, nordestinos e judeus, pois agora qualquer careca vai ser caçado como nazista", diz Caçador, apelido de um estudante de enfermagem paulista, 23 anos, e que há oito faz parte do Carecas do Subúrbio.



Trabalhadores ou estudantes durante o dia, os Carecas e os Skinheads abandonaram a cabeça raspada para não serem mais identificados hoje usam o corte militar e até permitem alguns fios compridos. Coturnos ou botas nos pés, camisas de manga longa e gola alta para esconder tatuagens bandeiras, dragões e cachorros nos Carecas do Subúrbio, suásticas e aranhas nos Skinheads _, andam armados de correntes, soco inglês e, eventualmente, revólveres. Só saem à noite em grupos e perambulam pelas ruas à procura de gangues com quem duelar. "Individualmente eles não têm força nenhuma, são covardes. O grupo é a proteção", diz a antropóloga Márcia Regina.



Valentes para atacar os bandos rivais ou amedrontar os homossexuais, os Carecas do ABC, por exemplo, ficam apavorados quando aparece um carro da polícia. "O importante é não ser notado, por isso nunca ficamos muito tempo no mesmo lugar, conta Carrasco, 25 anos, um dos líderes ou "general" do Carecas do ABC. Ao contrário dos Outros grupos, que não têm hierarquia os Carecas do ABC seguem disciplina militar. Carrasco e outros 15 Carecas costumam se encontrar nos finais de semana no paço Municipal de Santo André. o assunto é sempre o mesmo: "Os judeus devem ser eliminados porque são párias da sociedade e os homossexuais porque são degenerados."



Nos encontros, se divertem fazendo cara de mau para assustar as pessoas, mas não tocam em álcool ou mulher. "Mulher tem de ficar em casa, pronta para dar carinho", diz Chacal, 22 anos.



Separados pelas diferenças ideológicas sutis e pela composição racial dos grupos, Carecas e Skinheads têm em comum, além da violência, a crítica a todas as instituições sociais não acreditam em partidos políticos nem sindicatos e não seguem nenhuma religião, embora a maioria diz acreditar em Deus. São unânimes, também, em condenar a corrupção do governo Collor. Mas nenhum deles engrossou as manifestações dos jovens pró impeachment. "As passeatas foram o carnaval dos estudantes, coisa de

filhinhos de papai, burgueses", diz Marcos da Rocha Peixoto, um dos Carecas do Rio de Janeiro.



Enquanto os estudantes faziam passeatas para defender a ética e a democracia, eles preferiam pichar muros e usar a força em combates a grupos rivais ou atacar minorias pacíficas.







África negra: da colonização à barbárie:



A partilha da África foi feita de maneira arbitraria, sem respeitar as características étnicas e culturais de cada povo. Em parte isso tem contribuído para muitos dos conflitos da atualidade no continente africano. É o que comenta o texto.



"Levara luz e a civilização aos lugares escuros do mundo". Assim, um contemporâneo do processo de neocolonização da África justificava a ação européia em 1897.

Contudo, um século depois, o que se vê em grande parte da África contraria aquele objetivo: massacres entre etnias, guerrilhas, tribalismo, governos opressores, endemias e miséria.









Uma abordagem não oficial:

11 de setembro: o novo incêndio do Reichstag (1)

do livro "Você ainda acredita em Democracia?" de Luiz Pontual **



O que dissemos há pouco sobre a iminência da consumação dos tempos e do enfrentamento final dos materialistas, liderados externamente pelo sionismo, contra o Islã e contra todas as demais religiões e doutrinas, merece um capítulo à parte no que respeita aos recentes eventos nos Estados Unidos. É evidente que o atentado do dia 11 de setembro foi planejado (2) e executado por quem está interessado em suas conseqüências. É preciso ser míope para não enxergar que os resultados não favorecem de modo algum ao Islã (3) ou a qualquer país muçulmano, mas sim aos desígnios do Estado sionista de Israel e à hegemonia mundial dos EUA. Uma única questão desmorona (como as Twin Towers) a cinematográfica farsa que se produziu: como é possível acreditar que o Pentágono, centro da inteligência militar norte-americana, não estivesse tecnologicamente preparado para identificar e desarmar um ataque (4) dessa natureza? Esta pergunta e muitas outras, como veremos a seguir, não tem resposta satisfatória. Os poderosos recurso de detecção utilizados pela defesa anti-aérea norte-america identificam objetos em movimento do tamanho de uma abelha, sua trajetória e potencial perigo; convenhamos que uma grande aeronave Boeng – dentre quatro sequestradas – não é um alvo minúsculo. É inteiramente inverossímil que um avião daquele porte tenha podido aproximar-se do Pentágono sem ser abordado ou interceptado em nenhum momento; aliás, diga-se a bem da verdade, nenhum órgão da grande imprensa internacional chegou a questionar seriamente este ponto, que é fundamental para o nosso argumento.



Pouco importa a participação real ou fictícia de árabes e/ou muçulmanos no atentado do 11 de setembro, pois sempre é possível a instrumentalização de tais elementos; as “provas” que o governo americano tem produzindo não se sustentam seriamente, a ponto de não terem sido exibidas, semanas e meses após o diabólico evento. Ninguém que reflita razoavelmente irá acreditar que os membros da equipe que planejou e executou tal ato tenham guardado provas escritas com “recomendações”; ingenuidade assim não combina com a complexidade e precisão do atentado, possível apenas com a conivência e algum tipo de participação dos setores-chave da segurança nacional norte-americana. Além disso, é preciso mencionar que muito do que foi “fabricado” como provas de envolvimento de grupos ditos islâmicos no atentado do dia 11 de setembro (vídeos, textos, falas e comportamentos de suspeitos) não concorda nem de perto, nem de longe, com os preceitos básicos da religião. É notável na opinião pública internacional certa resistência às versões apresentadas pelo governo norte-americano: algo soa falso, a tal ponto que os mentores da farsa, seja quanto à autoria seja quanto às retaliações propostas, foram constrangidos a adiar ou refazer parte de seus planos, pois previam como certa uma unanimidade - que de fato não ocorreu - baseada em sua versão do atentado. O objetivo, afinal, fica a cada dia mais claro: identificar terrorismo com fanatismo e este, com a religião islâmica. Trata-se – como podemos constatar nos editoriais da grande imprensa, de uma guerra contínua e mal disfarçada, da ideologia (economia e política) norte-americana globalizadora (a “democracia moderna”) contra o Islã e a teocracia ou outras formas tradicionais de governo. Vale a pena transcrever o trecho final de um editorial (5) para que não julguem que exageramos : “O que realmente incomoda a ponto de exasperação os fundamentalistas, apontados como os principais suspeitos de autoria dos atentados, não é só a arrogância americana ou seu apoio ao Estado de Israel. O que os radicais não toleram, mais que tudo, é a modernidade. É a existência de uma sociedade em que os justos podem viver sem ser incomodados e os pobres têm possibilidades reais de atingir a prosperidade com o fruto de seu trabalho. Este é o verdadeiro anátema dos terroristas que atacaram os Estados Unidos. Eles são enviados da morte, da elite teocrática, medieval, tirânica que exerce o poder absoluto em seus feudos. Para eles a democracia é satânica. Por isso tem que ser combatida e destruída”. Algumas informações emprestadas do ensaio de Gore Vidal nos auxiliarão a situar melhor os antecedentes do 11 de setembro e enumerar as provas de omissão e cumplicidade (-no mínimo-) do governo dos Estados Unidos, aliado e braço armado do movimento sionista, neste trágico evento.

Gore Vidal acusa EUA de cumplicidade O jornal inglês The Guardian , em 27 de outubro de 2002, publicou um contundente ensaio de Gore Vidal, intitulado The Enemy Within (“O inimigo interno”), no qual acusa categoricamente o governo norte-americano, no mínimo, de cumplicidade no atentado. Respeitado como profundo conhecedor da história e política dos Estados Unidos, Vidal fornece-nos informações coerentes e precisas, apresentando passo a passo os antecedentes deste evento verdadeiramente diabólico, não deixando margem a dúvidas quanto à omissão e conivência do governo de G.W. Bush na farsa do 11 se setembro. Em seu ensaio, Gore Vidal cita Zbigniew Brzezinski, professor universitário, escritor e consultor de política internacional de vários governos dos EUA desde a década de 60, como um nome-chave para compreendermos melhor a estratégia da política internacional sionista e norte-americana. É dele o estudo do Conselho de Relações Exteriores (1997) intitulado “O grande tabuleiro de xadrez: a primazia americana e suas diretrizes geopolíticas”, do qual o autor reproduz e comenta alguns trechos: “Desde que os continentes começaram a interagir politicamente, há quinhentos anos atrás, a Eurásia tem figurado como o centro do poder mundial. A Eurásia é todo o território ao leste da Alemanha. Ou seja, a Rússia, o Oriente Médio, a China e partes da Índia. A Rússia e a China, com fronteiras para a Ásia Central rica em petróleo, são os dois principais poderes ameaçando a hegemonia dos Estados Unidos naquela região”. [...] “Brzezinski toma como ponto pacífico que os Estados Unidos precisam exercer controle sobre as antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central: “-o Turcomenistão, o Uzbequistão, o Tadjisquistão e o Quirguistão, são todos importantes do ponto de vista de segurança e ambições históricas para ao menos três de seus vizinhos mais imediatos e mais poderosos – a Rússia, a Turquia e o Irã, com a China dando sinais de vida. O consumo mundial de energia continua crescendo e, portanto, quem controlar o petróleo e o gás caspiano controlará a economia mundial.” [...] “Reflexivo, parte para a racionalização americana de costume a favor do império: “Nós nada queremos, jamais, para nós mesmos; desejamos apenas impedir que pessoas más tenham coisas boas com as quais possam prejudicar pessoas boas”. Segue disso que o interesse primário americano é ajudar assegurar que nem um único [outro] poder venha controlar o espaço geopolítico e que a comunidade global tenha um livre acesso financeiro e econômico a esse espaço”. [...] “Brzezinski está bastante ciente de os líderes americanos serem maravilhosamente ignorantes em relação à história e à geografia, portanto ele se aproveita, apenas evitando invocar o politicamente incorreto “destino manifesto”. Ele lembra ao conselho a imensidão da Eurásia. Setenta e cinco por cento da população mundial é eurasiana. Se eu acertei nas contas, isso significa termos, até hoje, apenas o controle de meros 25 por cento das pessoas do mundo. E mais! “A Eurásia responde por 60 por cento do PIB mundial e por três quartos das fontes de energia mundiais conhecidas. [...] “O plano piloto de Brzezinski para o “nosso” (EUA) globo obviamente foi aceito pela junta Cheney-Bush (6) . A América corporativa há muito superexcitada com a riqueza mineral eurasiana, já o aprovara desde o início. Brzezinski claramente imaginou que o estabelecimento, a consolidação e a expansão da hegemonia militar americana desde a Eurásia até a Ásia Central iriam requerer uma inédita e desenfreada militarização das políticas externas, acompanhadas de uma igualmente inédita fabricação de apoio e de consenso domésticos para essa militarização”. O termo fabricação, no caso, é muito próprio: tratava-se, para obter tal apoio, de forjar um acontecimento de grande impacto emocional na opinião pública norte-americana e mundial, algo que representasse uma ameaça externa maciça e aterradora, criando condições políticas e psico-sociais para uma declaração de guerra, “em defesa da segurança nacional ameaçada”. Tal declaração levou à suspensão adicional de vários direitos e liberdades civis previstas na constituição americana. Dizemos “adicional” pois Clinton, após o atentado de Oklahoma, com a Lei USA Patriot , já havia restringido tais direitos. Agentes do governo estão autorizados a arrombar a casa de qualquer pessoa, revistá-la e impedir que o cidadão, por tempo indeterminado, descubra que foi emitido um mandado de busca. - Não estamos falando da ditadura na Argentina ou no Chile! Os agentes do governo americano podem obrigar os bibliotecários a declarar quais livros foram tomados emprestados por qualquer pessoa. Se o bibliotecário se recusar a fazê-lo, pode ser indiciado criminalmente. Eles podem também acessar extratos de cartão de crédito e outras informações particulares (e-mail e arquivos privados em computador pessoal, por exemplo), sem aprovação judicial prévia e sem o consentimento do cidadão. Embora a situação seja muito parecida, não estamos aqui relatando os métodos da antiga URSS. Isto é os Estados Unidos hoje. A Lei USA Patriot II , mais recente, vai além: a simples acusação a um cidadão norte-americano de ter colaborado –conscientemente ou não- com alguma organização terrorista é o suficiente para privá-lo da cidadania e ser expatriado (inclusive para “regiões em que não exista qualquer forma de governo”). Agentes do governo passaram a deter e interrogar “suspeitos” secretamente, sem acusação formal ou direito à defesa, por tempo indeterminado; se por acaso alguém tentar processar tais agentes, descobrirá que eles estão imunes à Lei; arquivos pessoais em computadores passaram a ser vasculhados via internet sem o menor constrangimento, com objetivo de “encontrar indícios” de possíveis terroristas. Em nome da Liberdade, candidamente, roubaram a “Liberdade”. Fortes indícios de conspiração No dia do atentado ao World Trade Center, é inexplicável a ordem para que os caças da Força Aérea Americana, que deveriam por lei interceptar os aviões seqüestrados, permanecessem no chão (como se estivessem aguardando que os terroristas completassem o serviço). Certamente houve esta ordem decisiva, pois é obrigação e norma de segurança nacional americana a imediata decolagem de caças sempre que os radares assinalam desvio de rota pré-estabelecida. Stan Goff, veterano aposentado do Exército americano, professor de ciência e doutrina militar em West Point, afirma: “Quatro grandes aviões são seqüestrados e desviados da rota em seus planos de vôo, o tempo todo monitorados nos radares da FAA (7) : não entendo por que as pessoas não fazem estas perguntas específicas sobre as ações de Bush & cia. no dia dos ataques”. Este veterano, ao lado de outros peritos militares, não compreende por que não se seguiu a regra rígida nos casos de seqüestro, isto é, a imediata decolagem de aviões de caça - sempre de plantão - para verificar o que se passa e abater o alvo em pleno vôo, se for o caso.



Poderíamos aventar a remotíssima hipótese de que houve um “cochilo” na monitoração do primeiro Boeing sequestrado, o que já seria motivo para severas investigações cujas conseqüências poderiam ir da corte marcial até ao impeachment do presidente. Mas... contrário à toda boa lógica, outro grande avião se dirige, firme e serenamente, à torre sul do World Trade Center, seguido por um terceiro...e um quarto, com rota desviada para Washington e destino no Pentágono: tudo concorre para fortalecer a hipótese de uma omissão consciente e conivente do governo norte-americano, em suas mais altas instâncias. A contra-ordem para não interceptar esses aviões não poderia ser dada por ninguém abaixo do comandante-em-chefe das forças armadas... o que não impede que tenha partido de alguém acima da presidência dos Estados Unidos. Vale recordar a cronologia do que ocorreu no fatídico 11 de setembro:

1) 8:15 - quatro grandes aviões são seqüestrados. O Presidente G.W. Bush, que está visitando uma escola e conversando com professores, e não é notificado do ocorrido.

2) 8:45 - o vôo 11 da American Airlines explode na torre norte do World Trade Center. Bush agora está posando para fotos junto às crianças da escola. Continua sem nenhuma informação a respeito.

3) 9:03 - o vôo 175 da American Airlines colide e explode contra a torre sul.

4) 9:05 – Bush recebe uma informação sussurrada, mas, “após ter ficado sombrio por alguns instantes”, continua ouvindo os alunos da escola, enquanto o vôo 77 da American Airlines executa uma manobra não-programada sobre o Estado de Ohio e se dirige a Washington DC. O presidente? Ora, não dá qualquer ordem!

5) 9:30 – Finalmente Bush se digna declarar que houvera um ataque ao World Trade Center.

6) 9:35 – o avião do vôo 77 da American Airlines dá uma guinada de 360º sobre o Pentágono – o tempo todo rastreado pelo radar – e o Pentágono não é avisado nem evacuado. Onde estão os caças da Força Aérea, mais de uma hora após o seqüestro dos quatro Boeings? No chão.



7) O seqüestrador-piloto deste Boeing, que o governo afirma ter sido treinado numa escola para principiantes, executa uma vertiginosa e perfeita descida de 7 mil pés em apenas dois minutos e meio, levando o avião a uma precisa rasante na lateral do Pentágono a 850 km/hora. 8) 9:40 – finalmente, decolam os primeiros caças de interceptação, uma hora inteira e 20 minutos depois dos controladores de vôo tomarem conhecimento do seqüestro do vôo 11 e cinqüenta minutos depois da torre norte ser atingida. Não houve reprimendas ou corte marcial para estas “falhas” gigantescas: ao contrário, foram distribuídas várias medalhas de honra ao mérito. Os verdadeiros bastidores desta conspiração (8) provavelmente jamais virão a público, pois tais revelações, plenas de um cinismo diabolicamente macabro, seriam o caminho da ruína do último império. Do mesmo modo que os caças de interceptação foram impedidos de cumprir as normas, o Presidente, pisando na Constituição (que obriga

8) 9:40 – finalmente, decolam os primeiros caças de interceptação, uma hora inteira e 20 minutos depois dos controladores de vôo tomarem conhecimento do seqüestro do vôo 11 e cinqüenta minutos depois da torre norte ser atingida. Não houve reprimendas ou corte marcial para estas “falhas” gigantescas: ao contrário, foram distribuídas várias medalhas de honra ao mérito. Os verdadeiros bastidores desta conspiração (8) provavelmente jamais virão a público, pois tais revelações, plenas de um cinismo diabolicamente macabro, seriam o caminho da ruína do último império. Do mesmo modo que os caças de interceptação foram impedidos de cumprir as normas, o Presidente, pisando na Constituição (que obriga o Congresso a investigar tais casos), ordenou que não houvessem investigações sobre as alegadas “falhas da defesa nacional”, em nome da concentração de esforços para identificar e combater o inimigo terrorista. Uma farsa (9) desta magnitude, segundo especialistas, deve ter contado, pelo menos, com quatrocentos participantes (10), desde o planejamento, seleção, recrutamento, treinamento, apoio logístico e todas as articulações necessárias envolvendo variados níveis de poder. Para dar verossimilhança à farsa, chegaram ao requinte de, antecipadamente, fabricar “informes do serviço secreto” que preveniam o governo quanto à possibilidade de um “grande ataque terrorista” urdido pelo grupo Al Qaeda e Osama bin Laden. Poucos parecem se dar conta da complexidade de tal empreendimento e do grande número de envolvidos; é impossível que não vazasse nenhuma informação ao longo de meses e meses de planejamento e treinamento. O sucesso alcançado pela tática de “demonizar” um único indivíduo se deve à baixa capacidade intelectual da opinião pública em geral: é uma “simplificação” que objetiva galvanizar as emoções populares contra um único e bem definido “agente do mal” ou “eixo do mal”. Os grandes rolos de fumaça em Manhattan talvez tenham obscurecido a memória recente de muita gente; foi pouco lembrado certo cidadão norte-americano, condecorado pelas Forças Armadas, John Mc Veight, indiciado, processado e condenado à morte por um ato terrorista em Oklahoma. Acreditar que tenha sido o único responsável por tal atentado equivale, em termos de ingenuidade, a crer, por exemplo, na “conspiração de um único homem”, que resultou no assassinato de John F. Kennedy. A mesma tentativa de simplificação parece que vai se repetindo. Um Osama bin Laden “demonizado” e apenas três acusados “oficiais” estão sendo processados sem direito a designar seus próprios advogados. Um vasto cenário se desenha com clareza crescente: os propósitos de hegemonia mundial dos Estados Unidos com uma estratégia geopolítica estruturada por Brzezinski. A crescente influência da mentalidade americana na Europa e no resto do mundo foi uma etapa importante neste processo, por meio de incessante bombardeio ideológico: TV, cinema, jornais e revistas, publicidade, enfim todo o aparato de mídia (as chamadas “armas de distração de massas”) à disposição. As multinacionais (a chamada“América Corporativa”), cujo poder político cresce incessantemente, pressionam – mais que isto - determinam rumos e objetivos políticos nacionais e internacionais. Elas não querem “mais”, querem tudo. O alto comando do governo americano é constituído por representantes diretos (funcionários “licenciados”) de multinacionais. Vejamos: o próprio G.W. Bush tem atrás de si seu pai, hoje alto funcionário do Carlyle Group, proprietário de mais de 160 empresas mundo afora, que tem entre suas especialidades o setor aerospacial, defesa (leia-se armamentos) e energia (gás e petróleo). Bush filho é sócio da empresa texana Arbusto Energy isto é, opera principalmente com petróleo e gás. Cheney, vice-presidente, ex-Secretário de Defesa de Bush I e ex-presidente da Halliburton (11) Industries (petróleo) é ligado à Union Oil da Califórnia. Colin Powell (12), Secretário de Estado, prestou serviços à Gulfstream Aerospace, à Philip Morris (13) e à AOL, período em que suas ações nesta companhia subiram US$ 4 milhões. Condoleezza Rice, a Conselheira de Segurança Nacional, é ex-Diretora da Chevron-Texaco que, em agradecimento a serviços prestados, batizou um de seus petroleiros com o nome Rice. Coincidência?



Notas:

1 Nome da Assembléia Legislativa da República de Weimar, incendiada a mando de Hitler em 25 de fevereiro de 1933. Hitler acusou os comunistas como os autores (como G.W. Bush acusa os “terroristas islâmicos fanáticos”), o que lhe permitiu ordenar milhares de detenções e estabelecer um regime de exceção, três dias após a farsa.

2 Recomendamos a leitura atenta do documento “Civil Democratic Islam: Partners, Resources and Strategies”, de Cheryl Benard, financiado pela Smith Richardson Foundation para a RAND Corporation, National Security Research Division http://www.rand.org/publications/MR/MR1716/ . Trata-se de uma análise e uma estratégia minuciosa para o desnaturamento e destruição do Islã, onde o cinismo e a perversidade em tudo lembra os famosos Protocolos dos Sábios do Sião. Henry Ford (ele mesmo), que publicou Os Protocolos nos Estados Unidos, tem uma das melhores definições sobre este manifesto tão controverso: "A unica afirmação que me importa fazer sobre os Protocolos é que servem para o que está a acontecer. Têm 16 anos, e encaixaram na situação mundial até agora. Continuam a encaixar." --Henry Ford, 2-17-21, cujo jornal, o Dearborn Independent, citou os Protocolos como prova de uma alegada conspiração sionista até, pelo menos, 1927.

3 Poucos dias antes da impressão da segunda edição deste livro, estourou uma grande bomba jornalística nos EUA: "O 11/9 foi todo planejado. Foi uma operação ordenada pelo governo. Bush assinou pessoalmente a ordem. Ele autorizou pessoalmente os ataques. Ele é culpado de traição e assassinato em massa”. - Stanley Hilton, ex-chefe de gabinete de Bob Dole (Senador e líder republicano) e advogado do processo público do 11/9, entrevistado por Alex Jones, que comanda o Alex Jones Radio Show, em 10 de Setembro de 2004. Leia a entrevista no apêndice ou em http://www.rense.com/general57/aale.htm .

4 Ver adiante informações precisas proporcionadas por Gore Vidal em seu ensaio The Enemy Within. O NYT, em 22 de julho de 2004 noticia que a comissão nacional bipartidária formada para investigar o 11/ 9 concluiu que “a falha foi geral”, segundo palavras do ex-governador de New Jersey, Thomas Kean, presidente da comissão, “o que permitiu que a defesa mais poderosa do mundo fosse ludibriada”.

5 Revista “Veja”, p.9, editorial, São Paulo, 19-9-2001.

6 Gore Vidal, com sua ironia característica, chama o governo Bush de “Junta Cheney-Bush”, uma vez que foram empossados apesar de terem obtido menos votos que seus adversários; chama a atenção a ordem dos nomes, pois o presidente de fato é Cheney enquanto Bush é seu porta-voz. Um típico golpe de Estado mais condizente com uma república das bananas. No entanto, a deseducação pública e a campanha incessante pela massificação da imbecilidade não terão criado uma grande “república dos bananas” ?

7 The Federal Aviation Administration.

8 O governo americano quer nos fazer crer que Lee Oswald foi o único culpado pelo assassinato de Kennedy (1963). Nem um técnico medíocre em balística acreditaria na “teoria da bala mágica” : é óbvio que Kennedy foi atingido por tiros disparados desde diferentes posições. A pá de cal na farsa defendida pelo governo, no entanto, vem de ninguém menos que Barr McClellan, pai do atual porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan: em 17/09 /2003 ele afirmou ao The New York Times que o ex-presidente Lyndon Johnson (então vice-presidente) estava envolvido na conspiração. A tentativa de assassinato do Papa João Paulo II (que desmontou logo depois o império comunista com um sopro) é um outro caso para nunca ser desvendado.

9 Michael Meacher, ex-ministro britânico do meio-ambiente, declarou em 8/9/2003 que “Washington ignorou deliberadamente os avisos sobre os ataques de 11-9”. Disse mais: “A administração americana deseja o domínio global e esperava, secretamente, por um ataque daquele tipo porque os EUA e a Grã-Bretanha estão usando a guerra mundial contra o terrorismo como cortina de fumaça para sua verdadeira intenção: garantir o petróleo iraquiano para o Ocidente”. Notem que o ex-ministro tocou apenas a superfície do mar de lama; mas foi o suficiente para que um porta-voz da Embaixada americana em Londres qualificasse as declarações de “monstruosamente ofensivas”. No mesmo dia, a mídia sionista internacional “planta” as seguintes pseudonotícias: “Suposto porta-voz da Al Qaeda promete ataques a norte-americanos onde quer que estejam” e “Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri elogiam os executores de 11 de setembro”. Muito bem: apenas 48 horas depois, a farsa foi desmascarada pelo especialista francês Roland Jacquard (não contestado pela CIA): tratava-se de manipulação a partir de antigos vídeos.

10 Até agora, maio de 2004, a “guerra ao terror”, inacreditavelmente, só rendeu 3 infrutíferos processos a supostos cúmplices do suposto autor do atentado: o franco marroquino Zacarias Moussaoui e dois outros marroquinos, Munir el-Motasadeq e Abdelghani Mzudi. Os “advogados” são indicados pelo governo americano e, pelo menos um deles, é sionista. Osama bin Laden, cuja rica família é sócia da empresa de G.W. Bush, até hoje não foi encontrado.

11 No Washington Post de 28-10-2003; “Os contratos concedidos pelo governo dos USA para a Halliburton no Iraque já superam US $ 1,7 bilhão (nada menos que 1/3 dos custos militares mensais) e deverão somar mais centenas de milhões de dólares graças a um acordo obtido por esta empresa americana sem licitação junto ao Corpo de Engenheiros do Exército. A Halliburton era presidida pelo atual vice-presidente Dick Cheney”. Poucos dias depois desta notícia, G.W. Bush declara que “gastaremos o que for preciso para vencer”, ao solicitar (e conseguir) ao Congresso uma verba adicional de US$ 87 bilhões, o que beneficiaria a Halliburton, mantida a proporção atual da partilha de verbas, em US$29 bilhões “extras”.

12 O alemão Peter Franck, inspetor de armas da ONU, qualificou de “grande fraude” as supostas provas da existência de armas de destruição em massa no Iraque, apresentadas em 5 de fevereiro de 2003 pelo Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, ao Conselho de Segurança. “Tudo o que Powell disse era falso”, assegurou Franck à revista alemã Der Spiegel de 7 de junho de 2003.

13 A Philip Morris, segundo The Wall Street Journal (26/julho/2001), encomendou um estudo à consultoria Arthur D. Little International e, orgulhosa, publicou o resultado: “governo da Tchecoslováquia em 1999 obteve um lucro líquido de US$147,1 milhões, já que economizou, com a morte de fumantes, dinheiro público que seria aplicado em seguro-saúde, pensões e internações”. Após as previsíveis repercussões, a Philip Morris apresentou desculpas publicamente, alegando ter cometido um “um terrível engano”.



** Retirado do site : http://www.reneguenon.net/LivroDemocraciaVII.html





Resumo do filme “Fahrenheit – 11 de Setembro”

O filme Fahrenheit – 11 de Setembro aborda questões referentes ao ataque terrorista ao World Trade Center em 2001, e as transações políticas por trás do acontecimento. O documentário tem por objetivo fazer uma crítica ao governo Bush e mostrar que o seu mandato se fortaleceu às custas dos ataques terroristas.



Direção, roteiro e produção.

Michael Moore nasceu em Flint, Michigan, EUA, em 23 de abril de 1954 e é um cineasta documentarista muito popular no país. Ele é conhecido por seu apoio a postura social democrata e sua crítica ácida sobre as políticas do governo de George W. Bush.

Entre os seus filmes, destacam-se:

ROGER E EU (1989) - conta a história de sua tentativa de confronto com o presidente da General Motors, Roger Smith, sobre os efeitos devastadores do enxugamento de funcionários da empresa na cidade de Flint. Este documentário ganhou inúmeros prêmios, entre eles o prêmio de melhor documentário da associação dos críticos de Nova Iorque.

TIROS EM COLUMBINE (2002) – dirigido, produzido e roteirizado por Michael Moore, este filme lhe valeu o Oscar de melhor documentário de longa-metragem.

FAHRENHEIT-11 DE SETEMBRO (2004) – A idéia de se produzir este filme ocorreu em um discurso inflamado contra o presidente Bush, na cerimônia de entrega do Oscar do seu filme anterior.



Contextualização

Documentário é uma corrente cinematográfica que se caracteriza pelo compromisso com a verdade. Contudo, não se pode afirmar que ele a represente fielmente já que toda verdade é multifacetada e pode ser enxergada de ângulos muito diversos. O documentário, assim como o cinema de ficção, é uma representação parcial e subjetiva da realidade. Atualmente, há uma série de estudos cujos esforços se dirigem no sentido de mostar que há uma indefinição de fronteiras entre documentário e cinema de ficção.

O filme “Fahrenheit, 11 de setembro” é um documentário que tem por finalidade analisar a sociedade americana e o período conturbado que estava vivendo. Pode se dizer também que se trata de um documentário de leitura crítica, baseada em entrevistas, pesquisas, e na visão da realidade norte-americana.

Os ataques terroristas de 11 de setembro, aliados à insatisfação da população americana com o governo Bush e o uso da guerra para suprir seus interesses, foi o embrião para o desenvolvimento do documentário de Michael Moore.



Estréia e repercussão


A estréia do filme nos EUA ocorreu em um ambiente de muita expectativa e apreensão já que o país estava “aterrorizado” pelos acontecimentos recentes. O ex-governador de Nova Iorque, o democrata Mário Cuomo, resumiu em suas palavras o sentimento de apreensão que o documentário causou ao ser lançado:

“Este filme tem algo realmente interessante, ou tantas pessoas não estariam tentando vetá-lo”.

O lançamento do filme “Fahrenheit, 11 de setembro” foi marcado por uma restrição que gerou muita polêmica: a sua exibição foi proibida para menores de 13 anos e adolescentes até 17 anos deveriam estar acompanhados dos pais para assisti-lo. Michael Moore protestou contra essa medida:

“É uma pena que garotos de 15 e 16 anos que podem ser recrutados para guerras futuras, não possam ver o filme”.

Apesar de toda expectativa, de todo temor e de todas as restrições, a estréia do filme foi um sucesso. Cerca de 23.9 milhões de dólares foram faturados somente na estréia, ficando em primeiro lugar nas bilheterias. A estréia pelo mundo também foi um sucesso na Europa e na América do Sul, sobretudo na Argentina e no Brasil.



Alguns personagens



- George W. Bush

A história de George W. Bush como presidente dos EUA começou a partir das eleições do ano 2000, quando através de fraudes ele conseguiu ser eleito, dando uma pequena prévia de que tipo de presidente ele seria. Empossado na Casa Branca, graças a uma decisão de 5 a 4 na Suprema corte, Bush passou os primeiros nove meses de seu governo como um chefe de estado morno que não tinha popularidade dentro de casa e provocava piadas mundo afora. Contudo, aproveitando-se da situação difícil que o seu país passava devido ao atentado de 11 de setembro, em um discurso histórico no dia 20 de setembro de 2001, Bush afirmou que “a nossa guerra não vai terminar até todo grupo terrorista global ter sido encontrado, parado e derrotado” e, com isso, passou a receber apoio popular.

Na verdade, o governo Bush pode ser resumido vergonhosamente em poucas frases: eleito através de uma fraude, promovido em cima do pior atentado já visto no mundo e capaz de produzir uma guerra em cima de uma mentira, matando milhares de civis inocentes.



- Família Bin Laden

Osama Bin Laden é o 17º dos 54 filhos de Mohamed Bin Laden, rei da construção civil na Arábia Saudita. Ele é responsável, entre outras coisas, pela concessão e manutenção das áreas da grande mesquita de Meca, o lugar mais sagrado do islã. Além disso, é construtor de todas as estradas que levam a Meca. A fortuna de Osama começou a ser formada quando, o seu pai morreu em um acidente de avião em 1968, deixando uma fortuna em torno de US$11 bilhões. Como eram muitos filhos, Osama herdou cerca de US$300 milhões.

Bin Laden é de origem saudita e foi aramado pela CIA durante a guerra fria, para combater as tropas da antiga URSS durante a invasão ao Afeganistão. Tornou-se chefe da Al-Qaeda, uma organização alegadamente envolvida em diversos atentados terroristas como os listados abaixo:



⇒ 26 de fevereiro de 1993



Explosão na garagem do World Trade Center, em Nova York, onde morreram seis pessoas e mais de mil ficaram feridas.



⇒ 25 de julho de 1996



Ataque com caminhão-bomba num acampamento em Dahram, na Arábia Saudita, onde morreram 19 soldados americanos.



⇒ 7 de agosto de 1998

Carros-bomba explodem nas embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia. Resultado: mais de 250 mortos.



⇒ 12 de outubro de 2000



Barco-bomba lançado contra o destróier americano, no ûmen, mata 17 pessoas.



⇒ E, por último, o 11 de setembro onde morreram aproximadamente cinco mil pessoas.



Acredita-se que Bin Laden esteja escondido em algum lugar da fronteira montanhosa entre o Afeganistão e o Paquistão, mas segundo publicação no site de um jornal francês do dia 23 de setembro de 2006, Bin Laden teria morrido de tifo no mês de agosto.

Segue em anexo um texto de Frei Betto que analisa criticamente esse personagem e a sua imagem na mídia.



- Sociedade Americana.

Com o fim da guerra do Afeganistão e Bin Laden esquecido, o alvo de Bush agora era a sociedade americana. Através do discurso de guerra contra o terror, ele procurou manter o povo em constante estado de alerta para um outro possível ataque.

Enquanto a cantora Britney Spears se mostrava a favor do presidente George Bush, soldados americanos atacavam Bagdá matando milhares de inocentes, revelando a alienação que a sociedade americana vinha sofrendo. Além do mais, aqueles que se manifestavam contra o governo poderiam acordar com o FBI batendo a sua porta.



- Soldados.

Os soldados recrutados para guerra no Iraque não estavam preparados para esta situação, pois a maioria nem mesmo sabia porque estava ali. Esses soldados vinham de regiões pobres dos EUA e o exército era tido como a única opção para eles melhorarem de vida. Geralmente esses soldados tinham entre 17 e 20 anos de idade, mostrando total descontrole para lidar com essa guerra chegando a compará-la com jogos de vídeo game, onde atiravam em tudo que se movia: geralmente civis que não tinham nada a ver com o exército iraquiano. Os soldados que ficaram feridos na guerra e conseguiam voltar para os EUA, não tinha nenhum tipo de apoio, ficando clara a ilusão que era passada sobre o exército.



Atenção aluno: Nunca aceite opiniões prontas e definitivas! Veja o filme, leia os textos do livro didático e os apresentados aqui, consulte os links indicados acima e, sendo possível, procure outras fontes, analise e tire sua própria conclusão!!